Alta com muitos medicamentos: uma receita que pode comprometer a recuperação
10/02/2026
(Foto: Reprodução) Um novo estudo sugere que idosos que recebem alta hospitalar com prescrição de seis ou mais medicamentos apresentam menor probabilidade de recuperar a independência funcional durante a reabilitação. O trabalho, realizado por pesquisadores da Universidade Musashino, em Tóquio, acompanhou 1.903 adultos com 65 anos ou mais em um hospital de reabilitação no Japão. Os pacientes eram tratados por doenças cerebrovasculares (como acidentes vasculares cerebrais), distúrbios motores (Doença de Parkinson) ou síndrome de desuso – a deterioração física causada pela imobilidade prolongada, também conhecida como “use-o ou perca-o”: quando o corpo não é estimulado, começa a se deteriorar. O quadro se caracteriza por perda de massa e força muscular, redução da mobilidade articular, diminuição da resistência cardiovascular e problemas de coordenação e equilíbrio.
Alta hospitalar com prescrição de seis ou mais medicamentos diminui a probabilidade de recuperar a independência funcional durante a reabilitação
Gerd Altmann para Pixabay
No momento da alta, cerca de 62% dos pacientes estavam tomando seis ou mais medicamentos. Os pesquisadores descobriram que aqueles com condições relacionadas ao AVC ou síndrome de desuso que utilizavam múltiplos remédios obtiveram pontuações menores em medidas de independência funcional. Em termos práticos, retomar as tarefas cotidianas tornou-se mais difícil. No entanto, os com distúrbios motores não apresentaram tal associação.
Os achados reforçam a importância da revisão da medicação e da desprescrição (retirada orientada de fármacos desnecessários) para otimizar os resultados da reabilitação. A polifarmácia, definida como o uso simultâneo de vários medicamentos, traz riscos significativos para pacientes idosos. Com o envelhecimento da população e o aumento da multimorbidade – a presença de várias doenças ao mesmo tempo – a prática está associada a eventos adversos e ao declínio cognitivo.
Se você, um familiar ou um ente querido teve alta nessas condições, verifique:
Reconciliação medicamentosa: confira com o médico o que foi suspenso, alterado ou iniciado durante a internação.
Organização domiciliar: utilize porta-comprimidos semanais ou diários para evitar esquecimentos ou doses duplicadas.
Orientações claras e por escrito: peça uma lista detalhada com horários, dosagens e para que serve cada remédio.
Monitoramento de efeitos colaterais: a polifarmácia em idosos aumenta o risco de efeitos colaterais em 15%. Fique alerta a sintomas como tontura, sonolência ou confusão.
Acesso aos remédios: garanta que todos os medicamentos estejam disponíveis para evitar interrupções do tratamento.
Veja os vídeos que estão em alta no g1