Assédio sexual na Unicamp: professor do Cotil é demitido em Limeira e universidade investiga outro caso envolvendo menor

  • 07/03/2026
(Foto: Reprodução)
Assédio sexual na Unicamp: professor do Cotil é demitido em Limeira A Unicamp demitiu um professor do Colégio Técnico de Limeira (Cotil) por assédio sexual contra uma aluna menor de idade. A informação foi confirmada pela Comissão Processante Permanente (CPP) da universidade , via Lei de Acesso a Informação (LAI). De acordo com o documento, o processo administrativo foi instaurado em 2025 e concluído no início de 2026, quando o docente teve como penalidade a demissão. Segundo a presidente Administrativa do Núcleo Disciplinar da UNICAMP, Claudia de Souza Alface, que assina o documento, a medida foi aplicada levando em consideração a "gravidade dos fatos e da necessidade de preservação da segurança e do bem-estar das aluna". Siga o g1 Piracicaba no Instagram O caso é um dos três processos administrativos instaurados na Unicamp envolvendo assédio sexual de docentes contra estudantes nos últimos dez anos. Há outro processo envolvendo aluna menor de idade que ainda está em apuração. Saiba mais abaixo. Colégio Técnico de Limeira (Cotil), vinculado à Unicamp Unicamp Outros casos de assédio A pedido do g1, a Unicamp fez um levantamento dos processos instaurados envolvendo casos de assédio de docentes contra estudantes nos últimos dez anos. Além do caso citado acima, segundo o mapeamento, foram instaurados outros dois processos no período: 2018: um processo contra um professor da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP), com idade entre 35 e 39 anos na época, que teria constrangido mais de uma estudante e egressas tentando um "favorecimento sexual" em função de sua hierarquia superior. O processo foi concluído e o professor teve como penalidade suspensão por 90 dias. 2024: um processo contra um docente do Colégio Técnico de Campinas (Cotuca), com idade entre 65 e 69 anos, que apurou indícios de assédio sexual praticado contra uma aluna menor de 18 anos. O processo segue em andamento. Acolhimento Serviço de Atenção à Violência Sexual (SAVS) oferece acolhimento a vítimas assédio sexual para toda a comunidade acadêmica. Bruna Bonfim/g1 Além dos processos administrativos, o g1 também solicitou levantamento dos casos de assédio de docentes contra estudantes reportados ao Serviço de Atenção à Violência Sexual (SAVS) da Unicamp. O órgão foi criado em 2019 — após amplo debate na comunidade acadêmica a partir de demandas dos estudantes — e tem como objetivo acolher as vítimas, orientar sobre seus direitos, encaminhar para órgãos externos e auxiliar no encaminhamento da denúncia à Reitoria, mas não é de sua responsabilidade instaurar procedimentos ou sindicância. Segundo o levantamento do SAVS, há outro caso de assédio sexual, ocorrido em dezembro de 2025, cuja apuração ainda não foi iniciada. O serviço funciona como porta de entrada para o acolhimento. As pessoas podem registrar uma queixa sigilosa, que não necessariamente se transforma em denúncia formal. Nesses casos, a vítima pode receber apoio psicológico, orientação jurídica e até ajustes acadêmicos para evitar contato com o agressor. Entre as medidas possíveis estão mudanças de turma, de sala de aula ou de ambiente de trabalho, com o objetivo de garantir que a pessoa consiga permanecer na universidade com segurança. Além do apoio às vítimas, o SAVS também promove rodas de conversa, campanhas educativas e produção de materiais informativos sobre o tema. “O posicionamento institucional significa a universidade reconhecer que a violência sexual, a violência relacionada a gênero e a sexualidade são questões institucionais”, afirmou a diretora do Serviço de Assistência Psicológica e Psiquiátrica ao Estudante (SAPPE), Tânia Marin Vichi Freire de Mello. Atendimento a adolescentes Casos envolvendo adolescentes seguem regras específicas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Prefeitura de Hortolândia Nos casos que envolvem estudantes menores de idade, como nos colégios técnicos da universidade Cotil (em Limeira) e Cotuca (em Campinas), o procedimento segue regras específicas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Segundo a coordenação do serviço, nessas situações o encaminhamento costuma ser mais rápido e envolve obrigatoriamente a comunicação com a família e, quando necessário, com o Conselho Tutelar. “Quando envolve menor, aí a coisa é mais séria e tendo materialidade, então, a coisa é bem mais ágil”, explicou uma das responsáveis pelo atendimento. Além disso, a equipe de assistência social pode atuar diretamente junto aos colégios técnicos para acompanhar o caso e articular o atendimento com profissionais da própria unidade escolar. Segundo a diretora do Serviço de Assistência Psicológica e Psiquiátrica ao Estudante (SAPPE), Tânia Marin Vichi Freire de Mello, denunciar é importante para que a universidade possa tomar providências institucionais e evitar que situações de violência se repitam. “A denúncia interna à universidade é muito importante para que a universidade, como um todo, tenha conhecimento da situação”, disse Tânia Marin Vichi Freire de Mello, diretora do SAPPE. Ela destaca que a violência sexual costuma ser um dos tipos de violência mais difíceis de comprovar, o que torna o acolhimento e a rede de apoio fundamentais para que vítimas consigam buscar ajuda. Como pedir ajuda? Professores, estudantes, pesquisadores, funcionários da Unicamp, terceirizados, estagiários, patrulheiros e usuários dos serviços da universidade podem fazer queixas no SAVS. Sediado em Campinas, o serviço também atende os campi de Limeira (SP) e Piracicaba (SP), além dos colégios técnicos. O atendimento funciona de segunda a sexta-feira, das 11h30 às 17h30, mas é preciso fazer agendamento pelo e-mail savs@unicamp.br ou WhatsApp (19) 3521-7924. Atualmente, a Unicamp também conta com espaços de acolhimento em todas as unidades, onde membros da comunidade treinados podem receber relatos iniciais e encaminhar os casos para os serviços especializados. A universidade alerta que, apesar do acolhimento existente no SAVS, casos graves ou que envolvam violência física devem priorizar a ida ao pronto-atendimento no ambulatório do Hospital da Mulher da Unicamp (Caism) ou a serviços médicos de urgência especializados. VÍDEOS: tudo sobre Piracicaba e Região Veja mais notícias sobre a região no g1 Piracicaba

FONTE: https://g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia/2026/03/07/assedio-sexual-na-unicamp-professor-do-cotil-e-demitido-em-limeira-e-universidade-investiga-outro-caso-envolvendo-menor.ghtml


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