Blocos e troças LGBTQIA+ ocupam ruas e reforçam diversidade no carnaval de Olinda e do Recife

  • 15/02/2026
(Foto: Reprodução)
Estandarte do bloco Maracadonna tem corpete gigante Letícia Maria/g1 Carnaval é sinônimo de festa, de alegria, de celebração, mas também é expressão popular, cultural e política. A prova disso são os diversos blocos que saem às ruas com a bandeira LGBTQIA+, como Quem Cola Entra, Maracadonna, Tesourada, Se Eu Flopar Me Beija e Transcoco. A pauta da diversidade tem ganhado força nos últimos anos, inclusive com a criação de polos voltados para a comunidade no Recife, que tem programação até a Quarta-feira de Cinzas (18) em diferentes pontos da capital pernambucana (saiba mais abaixo). ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp Embora a comunidade esteja presente em outros espaços, integrantes dos blocos defendem que pessoas LGBTQIA+ construam seus próprios grupos. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Coordenadora de comunicação do bloco Quem Cola Entra, Aída Polimeri contou ao g1 que a troça nasceu depois que uma das fundadoras sofreu um episódio de violência em Olinda. “A gente se 'forçou' a sair juntas para se proteger. Aquela coisa de sermos todas [mulheres com] corpos dissidentes que gostam muito de carnaval e que não queríamos aceitar ficar em casa por conta desse episódio”, explicou. Além disso, segundo Aída, há a necessidade de garantir mais espaços para a comunidade se expressar no carnaval. "Mais troças e mais blocos declaradamente LGBT em Olinda. Foi um ano que o 'Vai ou Racha' [outro bloco LGBT] tinha terminado e a gente queria muito se fazer presente”. Troça carnavalesca Quem Cola Entra surgiu entre amigas para se protegerem se situações de assédio Aysha Diablo e Alana Cristina/Divulgação Essa ideia de misturar carnaval com política também aconteceu por acaso em algumas situações, como é o caso do Maracadonna, que até este ano não tinha de fato se colocado como um bloco propriamente LGBTQIA+. O bloco nasceu para homenagear uma figura bastante conhecida na comunidade, a cantora Madonna, e por consequência acabou agregando ao longo do tempo um grande público LGBTQIA+. Jo, idealizador do bloco, conta que apesar de inicialmente a ideia não ser levantar uma bandeira, mas sim fazer uma homenagem, com o passar do tempo a agremiação foi naturalmente sendo associada à causa. “Nascemos LGBTQIA+, mas fomos de fato de entender e nos posicionar dessa forma esse ano, abraçando essa causa como se fosse uma missa campal LGBT, celebrando o direito de ser livre em qualquer instância e celebrando a diva pop que mais abraça a causa. Era um desejo nosso, mas também do público”, disse. Jô também falou da importância de reafirmar a presença desse público na rua. Segundo ele, antes o público LGBTQIA+ em Olinda ficava restrito à Rua 13 de maio, mas agora pode ocupar outros espaços dentro da festa: “O carnaval já é uma festa que abraça esse público, mas é importante reafirmar isso”. Aída também pontuou a importância de ter um espaço com identificação: “É muito importante ter um lugar para a gente ir. Se for comparar, olha quantos blocos tem uma massa grande cis hetero, a maioria formada por pessoas cis heteros, os maiores e mais conhecidos são sempre pensados para pessoas cis heteros e a gente sempre achou que tinha corpo e força para juntar essa galera”. Troça carnavalesca Se Eu Flopar Me Beija Reprodução/Instagram Assim também como o Maracadonna, o Se Eu Flopar Me Beija, também se tornou uma troça aliada por acaso. A ideia inicial era criar uma prévia para se despedir da pessoa que, inclusive, idealizou o primeiro estandarte. Mas, de cara, mais de mil pessoas confirmaram presença. Luca Delmas, fundador da troça, acredita que a identificação do público LGBTQIA+ se deu por conta do termo “flopar”, presente na comunidade, mas não foi só isso. A ideia cresceu, se organizou e desde 2016 virou um ponto de encontro da comunidade em meio ao carnaval. “Nunca foi objetivamente pensado um público LGBT, mas foi pensado para gente que queria se divertir, gente como a gente. Então, a gente sempre se atentou para também fazer o possível para ser lugar seguro para pessoas LGBT e mulheres. [...] Todo mundo sendo o que é sem medo”, contou Luca. Em 2019, em Igarassu, dentro do Terreiro de Candomblé e de Matrizes Africanas e afro-indígenas, Raphaela, mulher trans, teve a iniciativa de criar um grupo de coco formado por pessoas transexuais. Segundo ela, a ideia era “combater a transfobia, todos os tipos de racismo, injúria racial, racismo religioso e todas as práticas discriminatórias”. “O preconceito, a exclusão, a discriminação de raça, de gênero e política, não deixar de existir de uma hora para outra. É uma construção de desconstrução, em busca de evolução. Só em estar, já é uma forma de resistência”, pontuou. Cinzas da Diversidade Além dos dias oficiais de folia, ainda há programação voltada à comunidade LGBTQIA+ na Quarta-feira de Cinzas. O Cinzas da Diversidade acontece no Polo do Ibura, Zona Sul do Recife, reunindo shows, performances de drag queens e concurso da Rainha da Diversidade, a partir das 19h. O encerramento acontece às 22h com Cybelle do Cavaco, levando samba e pagode para finalizar a programação. Confira a programação: Primeiro bloco Madonna twins (apresentadora) Olivier Duda mel Betania Borges Sacha Mummrá Mia J Betty Chuca Dona Fofa Flor de Charque Lea Farsaid Danny Brasil Concurso rainha da diversidade Katty Saimon Morgana Flyer Rita Rivotril Madry Calypso Scarllet Myler Kelly Venenosa Megan the Drag Queen Rhayanna Fox Diamante Green Sherranna Treyc Raymylle Bloom Dercy Fortunato Tory Milicentt Segundo bloco G Gmazone Leandra Gitana Andrômeda Glam Courtney Stephany Fox Lara acioly Laysa Botelho Danielle Fox VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

FONTE: https://g1.globo.com/pe/pernambuco/carnaval/2026/noticia/2026/02/15/blocos-e-trocas-lgbtqia-ocupam-ruas-e-reforcam-diversidade-no-carnaval-de-olinda-e-do-recife.ghtml


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