Caso Aguiar: entenda como o uso de IA mudou o rumo da investigação do desaparecimento de três pessoas da mesma família no RS

  • 23/05/2026
(Foto: Reprodução)
Entenda como a IA mudou o rumo da investigação do Caso Aguiar, no RS O uso de uma voz falsa criada por inteligência artificial (IA) ajudou o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) a reconstruir o caminho que, segundo a acusação, levou à morte de três pessoas da mesma família, em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Segundo a acusação, a tecnologia foi usada para simular que uma das vítimas estava viva, sustentar uma farsa sobre seu desaparecimento e atrair seus pais, que também foram mortos. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp 🔎As vítimas são Silvana de Aguiar, 48 anos, e os pais dela, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, Qque não são vistos desde 24 e 25 de janeiro. São réus neste caso: Cristiano Domingues Francisco, PM e ex-marido de Silvana; Milena Ruppental Domingues, atual esposa de Cristiano; e Wagner Domingues Francisco, irmão de Cristiano. Segundo o promotor de Justiça Caio Isola de Aro, a descoberta da voz simulada foi cruzada com outros materiais digitais, como textos em celulares, dados em nuvem e geolocalização. O conjunto de provas levou o MP a denunciar Milena como corré nos crimes, embora a Polícia Civil não a tenha indiciado pelas mortes. “Quando tivemos a notícia de que tinha sido utilizada a inteligência artificial para dissimular a maldade dos réus, dos envolvidos no crime, atrair as vítimas com base numa voz falsificada, isso chamou atenção”, afirmou o promotor. ⚠️ Além da conclusão da polícia, a reportagem consultou duas ferramentas de detecção de IA. Tanto a Hiya Deepfake Voice Detector quanto a undetectable.AI concluíram que é altamente provável que os áudios tenham, sim, sido gerados com inteligência artificial. Peça-chave na investigação Para o MP, a inteligência artificial foi uma peça de encaixe, que ajudou a explicar como familiares acreditaram ter recebido contato de Silvana após o desaparecimento. No início do caso, familiares relataram ter recebido contato de Silvana por telefone, o que dava credibilidade à versão do ex-marido de que ela teria se acidentado. A análise dos celulares dos investigados, porém, revelou outro cenário. “Quando se teve acesso ao celular, às nuvens dos investigados e se verificou texto pré-ordenado, gravações e áudios caracterizados como uma simulação de voz, aí sim fechou essa lacuna”, disse. Para a acusação, a voz falsa foi usada para reforçar a versão de um acidente e fazer contato com os pais de Silvana, atraindo-os para a morte. O promotor destaca que a IA não foi uma prova isolada, mas parte de um "conjunto" que permitiu ao MP fazer nova análise jurídica sobre o material coletado. PM preso acusado de matar a família Aguiar segue recebendo salário como servidor público no RS Novo desafio para a polícia O caso expõe um novo desafio para as investigações. Para o delegado Cristiano Ribeiro Ritta, da Polícia Civil, a IA qualifica a ação de criminosos. “Os golpes vão sendo mais sofisticados na medida em que a inteligência artificial também passa a ser um vetor de qualificação do crime”, disse Ritta. Segundo ele, a tecnologia já aparece em estelionatos, fraudes e crimes digitais. No caso Aguiar, porém, o uso de uma voz falsa em uma investigação de homicídio dá outra dimensão ao problema. Ele explica que a análise de um áudio suspeito não pode depender apenas da escuta. Em alguns casos, a voz pode soar robótica, ter velocidade irregular ou apresentar cortes. Mas a qualidade das ferramentas de IA torna cada vez mais difícil identificar uma falsificação apenas pela percepção humana. Um dos caminhos é a perícia. Ainda assim, segundo Ritta, nem sempre o laudo consegue afirmar de forma definitiva se um áudio foi produzido por inteligência artificial. A investigação precisa cruzar informações. Um áudio deve ser analisado junto ao aparelho usado, conexão de internet, endereço IP, atividade da conta, localização e coerência com outros elementos do inquérito. “A gente vai ter que combinar uma série de outros elementos de prova”, afirmou o delegado. “A gente não vai assentar a responsabilidade de uma pessoa numa única prova digital.” Análise jurídica e perícia O professor Ricardo Jacobsen Gloeckner, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Penais da PUCRS, afirma que o caso mostra como a IA pode alterar a execução de crimes graves, não apenas golpes financeiros. “O que parece ser interessante é que o meio de execução do crime foi realizado através de um fake da voz de alguém”, afirmou o professor. Gloeckner diz que a ampla disponibilidade de ferramentas digitais torna a clonagem de voz um risco que não se limita a pessoas famosas. Uma simples mensagem de áudio enviada a outra pessoa pode, segundo ele, servir de base para uma simulação. O professor também chama atenção para a limitação das ferramentas de detecção. Softwares que prometem identificar conteúdos falsos ainda podem errar. Por isso, a perícia digital passa a ter papel decisivo em investigações criminais. “Não há outra forma de a gente identificar que aquele áudio é ou não é verdadeiro a não ser através de uma perícia”, disse. Em golpes comuns, pedidos de dinheiro, dados ou vantagens fora do padrão podem servir como sinais de alerta. No caso Aguiar, segundo Gloeckner, a situação era mais difícil porque a mensagem falsa teria partido de uma relação familiar e emocional. “Era muito difícil a vítima se precaver daquele crime”, afirmou o professor. Essa é uma das diferenças em relação aos golpes mais conhecidos. Em fraudes financeiras, costuma haver urgência, promessa de vantagem ou pedido inesperado. No caso investigado, segundo as fontes ouvidas, o áudio simulava uma situação pessoal e familiar, o que reduzia a chance de desconfiança. “A inteligência artificial tem suas benesses, mas também tem os pontos de reflexão, de perigo. Alguém pode nos enganar com uma falsa voz de alguém, enganar uma investigação e se beneficiar disso, seja financeiramente, seja em casos de crimes de sangue”, disse o promotor. O g1 procurou Jeverson Barcellos, advogado de Cristiano, que afirmou que ainda "não obteve acesso a grande maioria das cautelares". O que diz a defesa de Milena "A defesa de Milena vem a público esclarecer que ela não possui qualquer envolvimento com supostos áudios, tampouco com eventual utilização de inteligência artificial relacionada aos fatos investigados. As informações divulgadas até o momento carecem de comprovação técnica conclusiva, sendo precipitada qualquer tentativa de vincular o nome de Milena à criação, manipulação ou divulgação de conteúdos atribuídos ao caso. A defesa reforça que a apuração deve ocorrer com responsabilidade, respeito ao devido processo legal e observância da presunção de inocência, evitando-se conclusões antecipadas e exposições indevidas." Silvana Germann de Aguiar, Dalmira Germann de Aguiar e Isail Vieira de Aguiar Imagens cedidas/Polícia Civil VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/05/23/voz-ia-prova-caso-familia-aguiar-rs.ghtml


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