Celina Leão se reúne com Zanin no STF; agenda previa Lei da Ficha Limpa, mas governadora cita BRB
12/05/2026
(Foto: Reprodução) Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília
José Cruz/Agência Brasil/Arquivo
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), se reuniu nesta terça-feira (12) com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin.
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Apesar de a agenda pública do magistrado indicar que o encontro trataria da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7881, que questiona mudanças na Lei da Ficha Limpa, Celina afirmou ao g1 que a pauta foi a suspensão da lei distrital que autoriza o uso de imóveis públicos para reforçar o caixa do Banco de Brasília (BRB).
Governadora do DF e o presidente do BRB se reuniram com o presidente do Banco Central para tratar sobre o futuro do BRB
“Minha tratativa com o Supremo é somente sobre a suspensão da lei do BRB”, afirmou a governadora em exercício.
Ao final da reunião, Celina Leão saiu sem falar com a imprensa.
🔎A ADI 7881 questiona mudanças recentes na legislação da Ficha Limpa, uma das principais normas eleitorais do país. Um possível beneficiado com a medida, por exemplo, seria José Roberto Arruda (PSD) (veja detalhes mais abaixo). Ele é um dos nomes da direita na disputa com Celina ao governo do DF nas eleições de 2026.
🔎O ministro Flávio Dino pediu, na sexta-feira (8), que a Corte vote presencialmente sobre a decisão do presidente Edson Fachin que liberou a venda de imóveis públicos do Distrito Federal para salvar o Banco de Brasília (BRB), após a Justiça do DF ter barrado a medida.
➡️ A Lei da Ficha Limpa foi aprovada em 2010, a partir de um projeto de lei de iniciativa popular com mais de 1 milhão de assinaturas, e estabelecia que a inelegibilidade podia durar até oito anos após o cumprimento da pena. A mudança feita pelo Congresso antecipa, em alguns casos, a contagem do período que a pessoa ficaria inelegível, começando a partir da primeira condenação em órgão colegiado da Justiça — o que, na prática, reduz o tempo fora das eleições.
Governadora do DF, Celina Leão
reprodução/CLDF
A situação de Arruda
Longe do cenário político há cerca de 15 anos depois de declarado inelegível, o ex-governador José Roberto Arruda se lançou como pré-candidato ao governo do Distrito Federal em 2026.
Arruda ainda enfrenta um cenário político e jurídico incerto. No fim de outubro, o Superior Tribunal de Justiça manteve uma condenação por improbidade administrativa que, em tese, torna o ex-governador inelegível.
Arruda se filia ao PSD para disputar governo do DF
Quanto à Lei da Ficha Limpa, em setembro no ano passado o Congresso estabeleceu que a inelegibilidade começa a contar a partir da decisão que decreta a perda de mandato ou a renúncia, e não mais a partir do fim do mandato.
"A mudança estabelece nova forma de contagem do prazo de inelegibilidade para condenados por órgãos colegiados. Pela interpretação literal, segundo a qual o prazo passaria a fluir a partir da data da condenação, Arruda poderia, em tese, ser considerado elegível para as eleições de 2026", explica a advogada criminalista e mestre em direito penal Emanuela de Araújo Pereira.
No entanto, ela pontua que o STJ manteve a condenação de Arruda referente aos fatos investigados na Operação Caixa de Pandora, o que o mantém, em princípio, inelegível. "O cenário que se apresenta, portanto, é juridicamente complexo e sujeito a interpretações no âmbito constitucional", avalia a advogada.
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