Conheça a dupla que empatou em reality e vai suceder Neguinho na Beija-Flor: 'Como substituir alguém tão genial?', diz Jéssica Martin
01/02/2026
(Foto: Reprodução) Olha a Jéssica e o Ninno aí, gente! Após 50 anos com Neguinho, Beija-Flor terá dupla de intérpretes
Após meio século com a mesma voz na Sapucaí, a Beija-Flor de Nilópolis inicia um novo capítulo de sua história neste carnaval de 2026. Pela primeira vez desde a fundação, a escola será conduzida por uma dupla de intérpretes: Ninno e Jéssica Martin.
A dupla foi escolhida para suceder Neguinho da Beija-Flor, ícone que marcou gerações com sua voz – e eternizou o grito de guerra "Olha a Beija-Flor aí, gente!" – e decidiu deixar o cargo ao fim dos desfiles do Grupo Especial de 2025, conquistado pela escola.
O RJ2 acompanhou um ensaio dos dois na quadra e mostrou como eles vêm se preparando para o desafio de assumir o microfone da azul e branca (veja na reportagem acima).
Relação antiga
A relação com a Beija-Flor vem desde cedo. Ninno lembra da primeira vez que entrou na quadra ainda criança.
“Meu pai me trouxe aqui em 2002. Entrei nessa quadra e me apaixonei”, contou.
Jéssica também tem uma ligação afetiva antiga com a escola e com o ídolo:
“Comecei a gostar da Beija-Flor com 10 anos de idade, através do meu mestre Neguinho da Beija-Flor”, disse.
Agora, os dois retornam à quadra com sensação de estreia — e de responsabilidade. Suceder a voz oficial da escola por 50 anos não é tarefa simples.
Desde a infância, ambos acompanharam a trajetória da Beija-Flor, cantaram no carro de som e dividiram o microfone com Neguinho. Agora, vão comandar sozinhos — ou melhor, juntos.
“Nunca imaginei estar aqui como intérprete oficial. Cantei por muitos anos no carro de som com o mestre Neguinho, que cantou por uma vida inteira, porque a Beija-Flor nunca mudou de voz. Estar hoje como oficial é algo incrível”, afirmou Ninno.
Jéssica também não escondia a surpresa com o novo papel.
“Nunca passou pela minha cabeça. Sempre achei que seria passista. Jamais pensei em ser cantora, ainda mais de samba-enredo”, disse.
Potência de Ninno, melodia de Jéssica
Jéssica Martin e Ninno, intérpretes da Beija-Flor
Douglas Lima/TV Globo
O tradicional grito de guerra da escola agora ganha novos timbres: a potência da voz de Ninno se soma à melodia de Jéssica Martin. Aos 36 anos, os dois iniciam juntos uma nova fase da Beija-Flor, que, após cinco décadas, passa a ter mais de uma voz à frente do samba.
A escolha da dupla veio após um reality show interno, que reuniu 12 intérpretes. Jéssica foi a única mulher na disputa.
“Foi maravilhoso e apavorante. Eu estava ao lado de 11 intérpretes experientes do carnaval, e eu chegando ali. Pensei: seja o que Deus quiser. E Deus quis”, relembrou.
Os dois passaram pelo crivo do próprio Neguinho da Beija-Flor, que integrou o júri. No fim, Ninno e Jéssica empataram com nota máxima — e a decisão foi dividir o posto.
Aprendizado para cantar em dupla
Para afinar a parceria, a preparação foi intensa: meses de ensaios em estúdio, ajustes de tom dos sambas antigos e muito cuidado com a voz antes das apresentações.
“Tivemos que aprender a trabalhar em dupla. Não é simples, mas graças a Deus está dando tudo certo”, disse Ninno.
O professor de canto da dupla, Clélio Guimarães, destacou o entrosamento: “Eles são cantores talentosos e muito sensíveis um com o outro. Os ajustes de tonalidade aconteceram de forma natural, leve e tranquila”.
Para a dupla, a missão é clara: seguir adiante sem apagar o passado.
“Não estamos substituindo, estamos sucedendo. Como substituir alguém tão genial?”, disse Jéssica.
Ninno reforçou a reverência: “Neguinho é referência de elegância, de intérprete, de carreira e de pessoa. O show tem que continuar”.
Neguinho da Beija-Flor foi campeão em seu último ano como intérprete da escola, em 2025
Stephanie Rodrigues/g1