Copasa: lucro da empresa de água de MG passa de R$ 1 bi em 2025; privatização será votada nos próximos dias

  • 29/11/2025
(Foto: Reprodução)
Estação de Tratamento de Água (ETA) Rio das Velhas Divulgação/Copasa A privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) deve ser votada em 1º turno pela Assembleia Legislativa (ALMG) na próxima semana. A estatal, criada na década de 1970, atende 637 municípios mineiros e teve lucro líquido de R$ 1,07 bilhão nos nove primeiros meses deste ano. A venda da Copasa sempre esteve nos planos do governador Romeu Zema (Novo), que defende que a privatização é necessária para a modernização da empresa, a atração de investimentos e o pagamento da dívida do estado com a União, atualmente em R$ 181 bilhões. A oposição argumenta que a desestatização deve gerar aumento de tarifa e precarização do serviço, além de demissões. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp O pesquisador da Fiocruz Minas Léo Heller, que já atuou como relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre água e saneamento, diz que existem muitas evidências de que o modelo de privatização em discussão no estado pode ser "muito nocivo". "Deixaremos de ter uma empresa estatal e passaremos a ter uma empresa controlada por um agente privado, em um tipo de serviço muito sensível, cuja prestação está ligada diretamente à saúde da população", afirmou. Entenda como a Copasa funciona hoje e o que pode mudar a partir dos pontos abaixo: A Copasa hoje Governo diz que privatizar vai atrair investimentos Países que privatizaram estão reestatizando Projeto será votado nos próximos dias A Copasa hoje A Copasa está presente em 637 dos 853 municípios mineiros, o que corresponde a 75% do total, com abastecimento de água. O número inclui cidades atendidas pela Copanor, subsidiária da companhia responsável pelos serviços de saneamento nas regiões Norte e Nordeste de MG. Do total de municípios, 308 contam também com serviços de esgoto. A estatal registrou lucro líquido de R$ 1,3 bilhão em 2024 e, de janeiro a setembro deste ano, foram mais de R$ 1,07 bilhão. Atualmente, a empresa tem 9.456 empregados ativos, e a Copanor, 472. A cobertura de fornecimento de água na área de operação da Copasa fica acima de 99%, meta definida pelo Novo Marco do Saneamento para 2033. Já em relação ao tratamento de esgoto, a cobertura atual é de 78,4% – a meta estabelecida pela legislação até 2033 é de 90%. A companhia diz que, para garantir esse avanço, é preciso investir R$ 16,9 bilhões em obras até 2029. Governo diz que privatizar vai atrair investimentos Segundo o governo, a privatização é essencial para viabilizar os investimentos necessários para a universalização do acesso à água e ao tratamento de esgoto. Em vídeo publicado nesta semana nas redes sociais, o governador Romeu Zema disse que a venda da estatal não vai gerar aumentar de tarifas. "A nossa Arsae [Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário] continuará definindo os preços, com poder de veto para poder impedir qualquer tipo de abuso", falou. Zema afirmou, ainda, que o contrato vai exigir metas de investimentos em "municípios pequenos e áreas mais precárias". Ele negou também que a privatização possa piorar o serviço prestado. "Isso não acontece quando o contrato é bem-feito. [...] A privatização, sim, é que vai atrair mais capital, acelerar investimentos e aliviar as contas públicas", declarou. Países que privatizaram estão reestatizando Já o pesquisador da Fiocruz Minas Léo Heller acredita que a privatização pode causar o efeito contrário: a queda de investimentos. "A transferência de dividendos vai aumentar, e vai sobrar menos ainda para os investimentos. [...] A empresa que comprar a Copasa vai ficar muito de olho é nas receitas, e os investimentos a serem feitos não vão gerar receitas muito substanciais. São investimentos em zonas rurais, municípios menores. As áreas mais lucrativas já estão atendidas", explicou. Segundo ele, desde a publicação do Novo Marco Legal do Saneamento, em 2020, as privatizações do serviço aceleraram no Brasil, na contramão do restante do mundo, onde esse processo ocorreu, principalmente, entre os anos 1980 e 2000 e foi interrompido. "Muitos países passaram a reestatizar os serviços. Tem havido muitos problemas com as privatizações. Em muitos casos, há aumento de tarifa, e o prestador privado se recusa a estender os serviços para populações com baixa capacidade de pagamento como zonas rurais, favelas e cidades menores. Tem caso também em que há degradação do serviço. Existem muitas preocupações", afirmou. Ainda de acordo com Léo Heller, as privatizações têm feito com que os serviços de saneamento sejam concentrados nas mãos de poucas empresas, muitas vezes ligadas a fundos de investimentos e com pouca relação com o negócio. "Isso cria um distanciamento entre o objetivo da empresa e o objetivo da prestação de serviço de saneamento, que é universalizar a oferta de água e esgoto" [...] O que a gente vê é que a finalidade do serviço, que é atender as populações, principalmente as mais pobres, fica em segundo plano", disse o especialista. ✅Mande sua denúncia, reclamação ou sugestão para o g1 Minas e os telejornais da TV Globo Projeto será votado nos próximos dias Na próxima semana, a ALMG deverá votar o projeto de lei proposto por Zema para privatizar a Copasa. A votação ocorre após a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), também de autoria do governador, que retira a exigência de consulta popular sobre a venda da companhia. Antes, a Constituição de Minas Gerais determinava que a população deveria ser ouvida, por meio de referendo, para a aprovação da desestatização. PT e PSOL acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF) contra o fim dessa obrigação, mas a Corte ainda não se manifestou. Assembleia aprova PEC que facilita venda da Copasa Agora, para a privatização da Copasa, basta uma lei específica de iniciativa do governador. O PL 4.3280/25, a ser votado nos próximos dias, prevê que o estado, atualmente detentor de 50,03% das ações, deixe de controlar a empresa, mas mantenha uma ação preferencial com poder de veto. Estabelece, ainda, que o adquirente deverá "cumprir as metas de prestação do serviço estabelecidas pelo Poder Executivo". Além disso, o projeto de lei determina que os recursos financeiros obtidos com a privatização sejam "exclusivamente utilizados para a amortização da dívida ou para o cumprimento das demais obrigações do Estado no âmbito do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag)". LEIA TAMBÉM: Deputados aprovam PEC que dispensa referendo para desestatização da Copasa TCE intima presidente da Copasa a esclarecer 'possível monitoramento' de autoridades

FONTE: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2025/11/29/copasa-lucro-da-empresa-de-agua-de-mg-passa-de-r-1-bi-em-2025-privatizacao-sera-votada-nos-proximos-dias.ghtml


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