De capitão a coronel: veja quem são os oficiais da PM presos por suspeita de chacina em Miracema do Tocantins
08/05/2026
(Foto: Reprodução) Justiça pede prisão preventiva de PMs suspeitos de participação em chacina
Investigações indicam que policiais militares de várias patentes tiveram participação na chacina de Miracema do Tocantins, com atuação em diferentes etapas da ação criminosa, que envolveu os crimes de sequestro, execução e ocultação de provas. Nesta sexta-feira (8), a Justiça determinou a prisão preventiva de 23 policiais e a aplicação de medidas cautelares.
O grupo é investigado por suposto envolvimento em uma sequência de crimes violentos que envolveu seis assassinatos, em 2022. Os crimes ocorreram logo após a morte do policial militar Anamon Rodrigues de Sousa durante um confronto em uma plantação de mandioca. Ao todo, sete pessoas morreram em dois dias.
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Os militares investigados se apresentaram nesta sexta-feira na sede do Comando Geral da PM, em Palmas. A medida foi negociada entre o Ministério Público Estadual (MPTO) e o comando da polícia. Depois, eles foram levados para a Delegacia Geral da Polícia Civil.
Entre os investigados estão os oficiais:
Douglas Luiz da Silva - tenente-coronel e ajudante de ordens do governador;
Wallas de Sousa Melo - major;
Yurg Noleto Coelho - major;
Wilquer Barbosa de Sousa - major;
Gleiston Ribeiro Pereira - capitão.
Além dos oficiais, as investigações apontam que pelo menos outros 18 militares também são suspeitos de participação nos crimes. Entre eles, há agentes de diferentes níveis da Polícia Militar, incluindo tenentes, sargentos, cabos e soldados.
Segundo a decisão que autorizou as prisões, o grupo teria atuado em conjunto em tarefas como monitoramento das vítimas, apoio operacional, transporte, execução e destruição de provas.
A Polícia Militar informou que acompanha o caso por meio da Corregedoria-Geral da PMTO, prestando o apoio institucional necessário ao cumprimento das determinações judiciais e às autoridades responsáveis pela investigação. Afirmou que não compactua com desvios de conduta e os fatos serão apurados pelos órgãos competentes (veja nota completa abaixo).
O advogado Paulo Roberto, que faz a defesa dos militares citados pela reportagem, informou que ainda não teve acesso à decisão que decretou as prisões. "Tão logo a gente tenha conhecimento, teremos condições de emitir um parecer acerca da situação", afirmou.
A Casa Militar informou que Douglas Luiz foi afastado de todas as suas funções de Ajudante de Ordens e de todas as agendas oficiais (veja nota abaixo).
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PMs se apresentaram na sede do Comando Geral da PM, em Palmas
Reprodução/TV Anhanguera
Quais foram as participações dos oficiais
Conforme a decisão colegiada dos Juízes da 1ª Vara Criminal de Miracema do Tocantins, o tenente-coronel Douglas Luiz da Silva é apontado como integrante de uma equipe que utilizou um veículo oficial para permanecer por longo período no local onde três vítimas foram abordadas no loteamento Jardim Buriti.
De acordo com os registros, o carro ficou estacionado em um ponto estratégico durante a madrugada e, depois, seguiu trajeto compatível com o deslocamento de quatro jovens que foram abordados. As informações prestadas pelo grupo teriam omitido essa permanência, o que sugere tentativa de ocultar a movimentação.
O major Wallas de Sousa Melo aparece nas investigações sobre a invasão da Delegacia de Miracema, foi visto circulando nas imediações horas antes do ataque. Imagens mostram que ele passou em frente à unidade e permaneceu estacionado em local estratégico até pouco antes das execuções.
Segundo a decisão da Justiça, há indícios de que tenha mantido contato com os executores e orientado a dispersão após os crimes, além de não ter determinado diligências imediatas.
O major Yurg Noleto Coelho é apontado como uma das principais lideranças informais do grupo. Ele teria coordenado equipes, emitido ordens durante a ação e posicionado viaturas em pontos estratégicos com visão das rotas de fuga. Também há indícios de participação na retirada de equipamentos de gravação para eliminar provas e na organização das ações posteriores aos crimes.
O major Wilquer Barbosa de Sousa é citado como responsável por atuação conjunta na manipulação de registros de viaturas. Os dados indicam possíveis irregularidades ou adulterações nos sistemas de monitoramento de veículos, com alinhamento de versões com outros envolvidos.
O capitão Gleiston Ribeiro Pereira teve a participação associada ao uso de um veículo que circulou repetidamente entre o local da abordagem e o loteamento onde ocorreram as execuções. Registros técnicos mostram que o carro esteve presente nos momentos-chave da ação.
Também há indicação de que o capitão procurou informações sobre a vítima sobrevivente após o crime, o que sugere interesse direto no desfecho do caso.
Além das prisões, a decisão impôs sanções rigorosas a todos os 23 presos. Um outro policial militar não teve a prisão decretada, mas também foi submetido às medidas cautelares.
Afastamento imediato das funções públicas.
Suspensão da posse e do porte de armas de fogo (particulares ou funcionais).
Proibição de acesso a unidades policiais.
Proibição de contato com a vítima sobrevivente, familiares das vítimas e investigadores.
Chacina deixou sete mortos em Miracema do Tocantins
Motagem/g1
Quem são as vítimas
Na mesma noite na morte de Anamon Rodrigues, Valbiano Marinho da Silva foi assassinado em casa, por suspeita de envolvimento com a morte do PM.
Na madrugada de sábado, 5 de fevereiro, Manoel Soares da Silva e Edson Marinho da Silva, pai e irmão de Valbiano, foram assassinados dentro de uma delegacia quando 15 pessoas encapuzadas invadiram o local.
No dia seguinte, mais três corpos foram encontrados no loteamento Jardim Buriti. As vítimas foram identificadas como Aprigio Feitosa da Luz, de 24 anos, Gabriel Alves Coelho, de 21 anos, e Pedro Henrique de Sousa Rodrigues, de 18 anos.
Como foi a dinâmica dos crimes
De acordo com a decisão, a investigação da Polícia Civil revelou que os crimes ocorreram de forma coordenada entre os dias 4 e 5 de fevereiro de 2022, estruturados em quatro episódios principais.
Morte do Sargento Anamon Rodrigues de Sousa: Ocorrida durante um confronto armado em um mandiocal.
Execução de Valbiano Alves Marinho: Morto a tiros na porta de sua casa enquanto estava sob custódia informal de policiais da Agência Local de Inteligência (ALI).
Invasão da Delegacia de Polícia de Miracema: Uma ação articulada que resultou na execução de Manoel Soares da Silva e Edson Marinho da Silva (o pai e do irmão de Valbiano) dentro da unidade policial.
Mortes no Loteamento Jardins Buritis: O sequestro, tortura e execução de quatro jovens, com apenas um sobrevivente.
Íntegra da nota da Polícia Militar
A Polícia Militar do Tocantins informa que tomou conhecimento da decisão judicial que determinou o cumprimento de medidas cautelares em desfavor de policiais militares, incluindo mandados de prisão preventiva e medida de afastamento das funções públicas, no âmbito de investigação conduzida pela Polícia Civil do Estado do Tocantins.
A Corporação esclarece que acompanha o caso por meio da Corregedoria-Geral da PMTO, prestando o apoio institucional necessário ao cumprimento das determinações judiciais e às autoridades responsáveis pela investigação.
A Polícia Militar do Tocantins reafirma que não compactua com quaisquer desvios de conduta praticados por seus integrantes, mantendo o compromisso permanente com a legalidade, a ética, a disciplina e a transparência institucional.
Ressalta-se que os fatos são objeto de apuração pelos órgãos competentes, sendo assegurados aos envolvidos o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, conforme prevê a legislação vigente.
A Polícia Militar do Tocantins seguirá colaborando com as instituições responsáveis, reafirmando seu compromisso com a preservação da ordem pública, da credibilidade institucional e da confiança da sociedade tocantinense.
Íntegra da nota da Casa Civil
A Casa Militar informa que tomou conhecimento nesta sexta-feira, 8, da decisão judicial que determinou o cumprimento de medidas cautelares em desfavor do policial militar, servidor do órgão.
A CAMIL esclarece que o policial militar foi afastado de todas as suas funções de Ajudante de Ordens e de todas as agendas oficiais.
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