Defesa de empresária amiga de Lulinha diz ao STF que PF errou em relatório que traz suspeita de propina via agência de viagens
19/03/2026
(Foto: Reprodução) Roberta Luchsinger
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A defesa da empresária Roberta Luchsinger, investigada no inquérito que apura desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta (19) que um relatório da Polícia Federal (PF) que levanta suspeitas sobre ela e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, contém erro.
💵 O relatório da PF contestado pela defesa diz que Roberta pagou R$ 641 mil ao dono de uma agência de viagens usada por ela e por Lulinha no mesmo período em que a empresária recebeu mais de R$ 1 milhão do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.
Segundo o relatório da PF, isso levantou a suspeita de que parte do dinheiro pago a Roberta pelo Careca foi direcionada a Lulinha por meio do pagamento de viagens.
Na petição enviada ao relator da investigação no STF, o ministro André Mendonça, os advogados de Roberta afirmam, no entanto, que ela pagou os R$ 641 mil à agência de viagens de dezembro de 2023 a junho de 2024, e só veio a receber o primeiro pagamento de R$ 300 mil do Careca do INSS posteriormente, em novembro de 2024.
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👉🏽 Portanto, segundo a defesa, os períodos não coincidem, e o relatório da PF partiu de uma "premissa falsa". Para os advogados, houve uma "tentativa enviesada, ilegal e frustrada de incriminar uma pessoa inocente".
A alegação da defesa cita como base documentos da própria investigação, como um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) feito pelo Coaf.
Questionada sobre os argumentos da defesa, a PF informou em nota que "não se manifesta sobre investigações em andamento".
"Ressalta-se que os trabalhos estão sendo conduzidos com rigor técnico, imparcialidade e observância ao devido processo legal, e serão concluídos após a análise integral de todas as provas reunidas", afirmou a Polícia Federal.
Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Lula.
Paulo Giandalia/Estadão Conteúdo
Pagamentos
Roberta foi alvo de busca e apreensão em dezembro de 2025. A PF encontrou cinco pagamentos de R$ 300 mil de uma empresa do Careca do INSS para uma empresa dela, totalizando R$ 1,5 milhão.
A suspeita sobre Lulinha surgiu depois que um ex-funcionário do Careca prestou depoimento à PF e disse que o lobista comentava com sua equipe que pagava uma mesada de R$ 300 mil para o filho do presidente Lula. Essa mesada seria para que Lulinha fizesse lobby para o Careca vender medicamentos de canabidiol ao Ministério da Saúde, segundo essa testemunha.
O Careca tentou vender frascos de canabidiol ao ministério, mas nenhum contrato foi assinado.
O advogado Bruno Salles, que defende Roberta, afirma que os pagamentos de R$ 300 mil que ela recebeu do Careca se referem a serviços efetivamente prestados por ela na área de venda e regulação de produtos de cannabis medicinal. Segundo Salles, Roberta não transferiu nenhum dinheiro para Lulinha.