Em depoimento, diretor de fiscalização do BC diz que Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa quando foi liquidado

  • 30/01/2026
(Foto: Reprodução)
Caso Master: em depoimento, diretor do BC diz que Master tinha só R$4 milhões em caixa quando foi liquidado No caso Master, o depoimento do diretor de fiscalização do Banco Central revelou que o banco de Daniel Vorcaro tinha apenas R$ 4 milhões em caixa quando foi liquidado, em novembro de 2025. Ailton de Aquino foi ouvido no dia 30 de dezembro de 2025 pela delegada Janaina Palazzo, da Polícia Federal. O depoimento foi acompanhado por um juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli, relator do inquérito no STF. O Master foi liquidado em novembro pelo Banco Central, que identificou uma profunda crise de liquidez – ou seja, o banco não tinha recursos suficientes para honrar compromissos, como o pagamento de clientes e investidores. No depoimento, o diretor do Banco Central disse que os R$ 4 milhões que o Master tinha em caixa eram insuficientes e incompatíveis para uma instituição de médio porte: "O acompanhamento por parte da supervisão era fundamental para entender a liquidez. Para pontuar isso claramente: um banco de R$ 80 bi tem liquidez de R$ 3 bi, R$ 4 bi em títulos livres. O Master, antes da liquidação, só tinha R$ 4 milhões em caixa”, diz Ailton de Aquino. No mesmo dia, a PF também ouviu o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Ele admitiu que a instituição enfrentava uma crise de liquidez e que usava a solidez do Fundo Garantidor de Créditos para fechar negócios. O FGC é formado por recursos dos maiores bancos brasileiros e serve para reembolsar investidores em caso de falência ou intervenção em uma instituição financeira. "Existia uma crise, não era de hoje, mas o Banco Master sempre foi solvente, sempre teve muito mais ativo que passivo e sempre honrou todos os compromissos até o dia 17 de novembro. E essa crise de liquidez, há de se ressaltar e que está no próprio relatório do Banco Central, foi criada por duas coisas: por mudança de regulação, com a pressão dos grandes bancos, que mudaram por duas vezes a regra do FGC, porque o mercado se julga dono ali do fundo, que é criado justamente para criar competição no mercado. Essa mudança pressionou a captação do banco, porque todo o plano de negócio, desde 2018 que a gente entregou para o Banco Central, ele era baseado no FGC”, diz dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Em depoimento, diretor de fiscalização do BC diz que Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa quando foi liquidado Jornal Nacional/ Reprodução Os depoimentos também trataram das operações do Banco Master com o Banco de Brasília. Segundo as investigações, o BRB comprou R$ 12 bilhões em carteiras de crédito podres, que não pertenciam ao Master e não tinham garantias financeiras. Segundo o diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, o BRB pode precisar de mais de R$ 5 bilhões para cobrir o rombo causado por essas operações. Em 2025, o BRB recebeu um alerta do Banco Central. Até março, o banco terá de apresentar um plano de recapitalização e obedecer às regras de capital mínimo, um colchão financeiro que é obrigado a ter para absorver perdas e proteger clientes. Ailton: A dimensão da provisão dentro do balanço do BRB será de elevada monta. Delegada: Será de mais R$ 4 bilhões? Ailton: A probabilidade é que seja mais de R$ 5 bilhões de ajuste. Aquino disse também que era dever da direção do BRB identificar problemas nos créditos adquiridos do Banco Master: "Aplicando técnicas, eu tenho certeza que a governança do BRB deveria ter identificado. Não tenho dúvidas disso. Aplicando-se técnicas é possível a identificação da existência ou não dos créditos”. O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa também foi ouvido e afirmou que os documentos do Master não indicavam nenhuma irregularidade: "A gente não tem clareza até hoje que isso foi uma fraude. Até hoje a gente não tem uma evidência concreta de que essas carteiras tinham problema, ou como é dito, são carteiras podres. Até hoje a gente não tem essa evidência”. O Banco de Brasília declarou que a instituição é sólida, está operando normalmente e assegurando todos os serviços financeiros. A defesa de Daniel Vorcaro não quis se manifestar. LEIA TAMBÉM Caso Master: em depoimentos, Vorcaro e ex-presidente do BRB apresentam versões divergentes sobre origem das carteiras vendidas ao Banco de Brasília Toffoli se manifesta sobre decisão de levar investigações do Master para o STF e admite a possibilidade de enviar processo para primeira instância Banco Master é suspeito de irregularidades na venda de crédito consignado para milhares de aposentados e pensionistas; CPI do INSS convoca Daniel Vorcaro

FONTE: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/01/30/em-depoimento-diretor-de-fiscalizacao-do-bc-diz-que-master-tinha-apenas-r-4-milhoes-em-caixa-quando-foi-liquidado.ghtml


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