Escala 6x1: como empresas da região de Campinas se adaptam ao modelo 5x2 em meio a debate no Congresso

  • 01/05/2026
(Foto: Reprodução)
Fim da escala 6x1: como empresas antecipam mudanças na jornada na região de Campinas Mesmo antes de a proposta que prevê o fim da escala 6x1 avançar no Congresso Nacional, empresas de Campinas (SP) se antecipam ao debate e ajustam estratégias diante de um possível novo cenário nas relações de trabalho. Entre as mudanças estão a reorganização direta das jornadas e a adaptação de modelos de negócio. Na região, uma empresa do setor de supermercados passou a testar a escala escala 5x2, mantendo a carga semanal de 44 horas, para melhorar a qualidade de vida e aumentar a atratividade das vagas. Em outros segmentos a antecipação ocorre de forma indireta, ligando trabalhadores autônomos a empresas com lacunas nas escalas tradicionais, prevendo aumento na demanda. 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp 🔎 O fim da escala 6x1 — seis dias de trabalho para um de descanso — saiu do campo das discussões pontuais e passou a ocupar o centro da agenda trabalhista do país. O tema ganhou força no Congresso Nacional e avança por quatro frentes simultâneas, com propostas que seguem caminhos distintos. No pano de fundo, o debate coloca em lados opostos a pressão por mais tempo livre e as preocupações com os efeitos econômicos das mudanças. ➡ Na prática, o principal fator que distingue uma escala da outra é a frequência e a duração dos períodos de descanso após dias consecutivos de trabalho. Atualmente, os modelos mais adotados no país são 6x1, 5x2, 4x3 e 12x36. Abaixo, veja as principais características de cada escala: VEJA TAMBÉM: Como funcionam as principais escalas de trabalho no Brasil? Teste em supermercado Um projeto-piloto adotado pela rede de supermercados Pague Menos passou a testar a escala 5x2 em unidades da região. Segundo o diretor de gente e gestão da rede, Fernando Carneiro, o objetivo foi responder a demandas observadas entre os trabalhadores. “A jornada continua sendo de 44 horas semanais, mas com uma adaptação da carga diária. Antes, eram seis dias de trabalho; agora, são cinco. Isso representa um aumento de 50% no número de folgas ao longo do ano, o que é muito positivo para o funcionário”, afirmou. Como o funcionamento das lojas acontece de segunda a domingo, a empresa precisou reorganizar as folgas. A estratégia adotada foi garantir descanso em sistema de revezamento aos domingos, mesmo que as folgas não ocorram sempre em dias consecutivos. “A gente garante que o domingo seja um por um. Um domingo sim, um domingo não, a pessoa tem a folga garantida para estar com a família”, explicou. De acordo com Carneiro, a decisão de se antecipar ao debate veio da percepção da rotatividade na empresa e de mudanças no comportamento dos candidatos a novas vagas. “As pessoas estão buscando qualidade de vida, e a 5x2 tem sido a melhor resposta para equilibrar isso com a necessidade do negócio”, disse. A mudança eleva a jornada diária, mas a expectativa da empresa é reduzir faltas de funcionários, necessidade de horas extras e acidentes de trabalho. O projeto-piloto já funciona em oito lojas e tem ampliação prevista para o mês de maio. Fim da escala 6x1: como empresas antecipam mudanças na jornada de trabalho na região de Campinas Reprodução/EPTV Agência muda estratégia O possível fim da escala 6x1 e a gradativa adoção, por parte das empresas, da 5x2 também têm atraído olhares das agências de emprego, que estão revendo as suas estratégias. A Diárias Tech, por exemplo, trabalha com a intermediação de mão de obra autônoma. Segundo o gerente sênior da área comercial, Otávio Romano, com a redução do número de dias trabalhados a tendência é aumentar a demanda por profissionais para cobrir lacunas nas escalas tradicionais. “Com certeza, esse volume vai crescer muito com essa escala. A gente entende que é uma oportunidade das pessoas descansarem mais e também de gerar trabalho para outras pessoas”, afirmou. De acordo com Romano, os profissionais que se cadastram na plataforma trabalham conforme a necessidade das empresas. Atualmente, cerca de 80% da procura está concentrada na área de e-commerce e logística. Ele destacou que os trabalhadores atuam como autônomos, sem vínculo empregatício, e que há limites claros para evitar a caracterização de relação de trabalho formal. “Em média, essa pessoa trabalha duas vezes por semana. A gente faz um rodízio grande para dar oportunidade para todo mundo e evitar ultrapassar limites que gerem vínculo”, disse. Diferentes realidades econômicas A advogada trabalhista Mirella Pedrol Franco avalia que a discussão precisa considerar diferentes realidades econômicas. “Quando a gente fala de redução de jornada, não pode olhar só para um lado. É preciso olhar também para quem vai arcar com esse ônus. Comparações com países da Europa são rasas, porque estamos falando de realidades muito diferentes”, afirmou. A advogada lembra que, na proposta atualmente em discussão, não há previsão de redução salarial nem perda de direitos, e que a jornada semanal permanece em 44 horas, apenas redistribuída ao longo dos dias. “O funcionário teria dois dias de folga, sem redução de salário, férias ou 13º. As 44 horas seriam diluídas em cinco dias, com jornadas de cerca de 8 horas e 48 minutos, desde que isso esteja formalizado por acordo”, explicou. Fim da escala 6x1: como empresas antecipam mudanças na jornada de trabalho na região de Campinas Reprodução/EPTV VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/05/01/fim-da-escala-6x1-como-empresas-antecipam-mudancas-na-jornada-de-trabalho-na-regiao-de-campinas.ghtml


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