Fã de Luiz Gonzaga, ópera e churrasco: quem é brasileira formada em canto lírico na Juilliard, tradicional escola de música dos EUA

  • 15/02/2026
(Foto: Reprodução)
Manuela Korossy é a primeira brasileira a se formar em canto lírico na Juilliard. Aos 7 anos, após descobrir Luiz Gonzaga, a brasiliense Manuela Korossy ganhou dos pais uma sanfoninha de brinquedo.🪗 Foi assim que começou a paixão pela música que a levaria, aos 24 anos, a ser a primeira brasileira a se formar em canto lírico em um dos maiores conservatórios de música do mundo: a Juilliard School. 🔎 Juilliard School: fundada em 1905, é uma das instituições de artes performáticas mais prestigiadas do mundo e fica em Nova York, nos Estados Unidos. Com formatura prevista para maio deste ano, a soprano afirma que, mesmo após anos de estudo, o encanto pela ópera segue o mesmo. “É tudo muito fantástico, muito intenso e muito prazeroso. O canto lírico é um um reflexo, talvez amplificado, de quem eu sou. A arte também é um espelho daquilo que todos nós somos. Por isso, ela é tão necessária”, conta Manuela. 🎵 Ato 1: trajetória musical Manuela Korossy é a primeira brasileira a se formar em canto lírico na Juilliard. Laycer Tomaz/Reprodução O que separa a Manuela criança — se conectando e descobrindo a arte — da cantora lírica formada são anos de dedicação à música: aos 7 anos: entrou em um projeto de extensão da Universidade de Brasília (UnB) de musicalização infantil; aos 10 anos: entrou na Escola de Música de Brasília para estudar piano clássico; aos 12 anos: participou da apresentação do coro lírico infantil da ópera Carmen de Bizet no Teatro Nacional Cláudio Santoro; aos 15 anos: entrou na turma de Canto Erudito da Escola de Música de Brasília e depois foi para o curso técnico; aos 17 anos: foi aprovada no curso de Música da Universidade de Brasília (UnB); aos 19 anos: passou nas três etapas da seleção para a Juilliard. Manuela foi selecionada entre mais de 400 candidatos do mundo todo e ganhou uma bolsa de estudos de 90% para estudar na Juilliard School. Para o curso em Nova York, foram chamados dez alunos. Desses, além da brasiliense, cinco também são estrangeiros, e quatro são dos Estados Unidos. 🎤 Ato 2: anos em Juilliard Manuela Korossy, cantora lírica brasiliense, em apresentação para a Casa Thomas Jefferson Com a mudança para uma das maiores cidades dos Estados Unidos, a jovem sentiu o primeiro choque cultural: o contraste do silêncio das ruas da Asa Norte, em Brasília, com o movimento sem pausa das esquinas de Nova York. 🚨 “O maior desafio de trocar Brasília por Nova York foram as sirenes das ambulâncias. A gente não tem noção de quão barulhento uma sirene pode ser”, diz a jovem. Brincadeiras à parte, Manuela afirma que a escola tem uma carga horária intensa, com nota média de 7,3 e baixa tolerância para faltas. Por outro lado, entrega suporte musical e técnico completo. 📚 Quanto questionada sobre as matérias preferidas, ela reconhece o aprendizado aprofundado nas disciplinas de teoria musical e de percepção. Já nas matérias de literatura vocal italiana, história do canto e de análise de óperas, ela conta que mergulhou de cabeça nas pesquisas. Não só pela curiosidade, mas também para entender a técnica vocal de cantoras que dialogam com o seu repertório. Manuela Korossy durante apresentação. Laycer Tomaz/Reprodução Entre as referências, Manuela destaca cantoras das décadas de 30 e 40 como Ida Miccolis, Renata Tebaldi, Lina Bruna Rasa, Elena Souliotis. “Eu digo que essas pessoas também me deram aula de canto. Foram horas ouvindo gravações e tentando perceber em cada detalhe como que a técnica é construída, como que a estética é construída”, diz a jovem. Manuela conta que enfrentou desafios financeiros durante o curso em Juilliard: por um período, precisou trabalhar em quatro empregos para conseguir pagar os custos de moradia e alimentação e os 10% que a bolsa de estudos não cobria. “É uma escola que não foi feita para quem precisa trabalhar e estudar, que sempre foi meu caso. Eu cheguei a um ponto em que acreditava que seria impossível me formar”, relembra a jovem. Após trancar a faculdade por um ano em Nova York e tentar a transferência para a Academia de Música Liszt Ferenc, em Budapeste, na Hungria, a coordenação da Juilliard ofereceu uma bolsa de 100% para a jovem concluir os estudos nos Estados Unidos. Na quarta-feira (11), Manuela apresentou um recital, equivalente ao Trabalho de Conclusão de Curso no Brasil, para finalizar a graduação em Juilliard. Agora, falta apenas concluir as matérias, que incluem provas e trabalhos, até maio. 🎙️ Ato 3: próximos anos Manuela Korossy estudou em colégios públicos do DF e concorreu com outros 400 candidatos para vaga na Juilliard School. Laycer Tomaz/Divulgação Para comemorar a formatura, o desejo da soprano é só um: celebrar ao melhor jeitinho brasileiro com churrasco e caipirinha. 🍋‍🟩🍖 A musicista quer traçar uma carreira internacional na Itália, mas também se apresentar nos palcos da América Latina. “Não há forma melhor de comemorar uma conquista como essa do que pondo em prática tudo que eu tenho aprendido, construído. Estar no palco é sempre uma grande comemoração. Eu acho que minha grande meta, de fato, é levar a voz do Brasil para o mundo e trazer o mundo de volta para o Brasil e botar a gente nesse holofote”, diz Manuela. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

FONTE: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2026/02/15/fa-de-luiz-gonzaga-opera-e-churrasco-quem-e-brasileira-formada-em-canto-lirico-na-juilliard-tradicional-escola-de-musica-dos-eua.ghtml


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