Famílias retiradas após vazamento químico ainda não voltaram à Vila Maranhão

  • 20/02/2026
(Foto: Reprodução)
Vila Maranhão recebe ações para reduzir impactos da contaminação ambiental As 11 famílias retiradas da Vila Maranhão, na zona rural de São Luís, não voltaram para casa até esta sexta-feira (20), apesar do acordo firmado após o vazamento de fertilizantes. Segundo o advogado da comunidade, a nova previsão é que o retorno ocorra na manhã de sábado (21). A equipe da TV Mirante esteve na comunidade para acompanhar as medidas adotadas para reduzir os danos. Máquinas trabalham na recuperação da via, e a área por onde escorria o líquido verde foi coberta. Uma equipe da Defesa Civil do Estado também esteve no local nesta sexta-feira (20). Até o momento em que a reportagem acompanhou a situação, as famílias ainda não haviam retornado. O transporte deve ser feito pela empresa Valen Fertilizantes, conforme definido em audiência. Moradores que permaneceram no bairro afirmam que a qualidade de vida ainda não melhorou.“Quando mexe, o fedor é bem forte, sim, então continua prejudicando sim, porque o nosso vem pelo ar, tanto pela água como pelo ar e continua na mesma.” Entre as principais reclamações estão dor de cabeça, problemas de pele e a morte de plantações e animais. Segundo a comunidade, o laudo sobre a qualidade da água ainda não foi divulgado. Após a denúncia, a empresa passou a fornecer água mineral em uma caixa d’água de 15 mil litros. Em audiência realizada nesta quinta-feira (19), também se comprometeu a instalar outro reservatório no local. O terreno foi capinado, mas moradores relatam que famílias de outra rua ainda têm dificuldade para acessar a água. Para chegar até a caixa, é preciso caminhar cerca de 500 metros. “Para chegar até aqui, é preciso caminhar cerca de 500 metros. O que adianta ele estar nessa água? Ele desce água e o ar que a gente respira está poluído. Isso não é bom para nós, moradores da comunidade.” Vila Maranhão recebe ações para reduzir impactos da contaminação ambiental Reprodução/ TV Mirante Ao todo, 71 famílias afirmam conviver com o despejo irregular de produtos químicos desde 2022, após a instalação da empresa Valen Fertilizantes e Armazéns na comunidade. A situação se agravou no dia 2 de fevereiro deste ano, quando um vazamento de sulfato de amônia e ureia atingiu duas ruas do bairro. Esses produtos, usados como fertilizantes, liberam partículas e gases tóxicos quando são lançados de forma irregular no ambiente, o que aumenta os riscos de contaminação. Moradores suspeitam que o material tenha atingido a fonte que abastece a comunidade. Durante a audiência realizada nesta quinta-feira (19), a Justiça analisou quais pontos da decisão judicial já foram cumpridos e quais ainda dependem de providências. Entre as exigências estão a realização das atividades apenas em área interna e coberta, a implantação de sistema de contenção, a instalação de estação de tratamento e decantação, o aumento do número de caixas d’água e o fornecimento de água mineral às famílias. A reportagem questionou a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) sobre a conclusão do laudo ambiental e se o resultado interfere no retorno dos moradores. O órgão informou que os documentos foram encaminhados ao Ministério Público. relembre o caso Vazamento químico obriga retirada de 11 famílias na Vila Maranhão, em São Luís Cerca de 11 famílias da Vila Maranhão, na zona rural de São Luís, tiveram que deixar suas casas após um vazamento irregular de fertilizantes de uma empresa instalada no bairro provocar problemas de saúde e um forte odor químico na região. A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) passou a investigar a contaminação e realizou uma nova vistoria no dia 10 de fevereiro. Moradores relataram coceiras, agravamento de doenças respiratórias e desconforto constante desde a instalação da empresa Valen Fertilizantes e Armazéns na comunidade. “Meu sobrinho é asmático. Por conta do fedor que ele estava inalando, claro que prejudicou a asma dele. Hoje ele se encontra num leito de UTI, o que não é fácil para uma mãe. Não é fácil para ninguém”, disse a dona de casa Lucineide Catanhede. Ao todo, 71 famílias afirmaram sofrer com o despejo irregular de produtos químicos desde 2022, após a instalação da empresa Valen Fertilizantes e Armazéns no bairro. A situação se agravou no dia 2 de fevereiro deste ano, quando um vazamento de sulfato de amônia e ureia atingiu duas ruas da comunidade. Esses produtos, usados como fertilizantes, liberam partículas e gases tóxicos quando lançados de forma irregular no ambiente, aumentando os riscos de contaminação. “Esses fertilizantes podem gerar resíduos gasosos que, ao serem inalados, provocam problemas de saúde. Se ingeridos, ou em contato permanente, podem causar problemas de pele. Com a exposição prolongada, podem ocorrer processos infecciosos que podem evoluir, posteriormente, para câncer”, explicou o geógrafo Marcelino Farias.

FONTE: https://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2026/02/20/familias-retiradas-apos-vazamento-quimico-ainda-nao-voltaram-a-vila-maranhao.ghtml


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