Imagem de Iemanjá tem histórico de ataques em Teresina; veja como denunciar intolerância religiosa
02/02/2026
(Foto: Reprodução) Intolerância religiosa: Polícia Civil vai analisar imagens de câmeras em Teresina
A imagem de Iemanjá, localizada na Avenida Marechal Castelo Branco, na Zona Sul de Teresina, acumula um histórico de ataques, episódios de intolerância religiosa e preconceito. No dia 1º de fevereiro, véspera do Dia Nacional de Iemanjá, celebrado em 2 de fevereiro, a escultura voltou a ser danificada.
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No ataque mais recente, ocorrido no domingo (1º), o vidro do aquário de proteção foi quebrado e uma das mãos da imagem danificada.
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Em entrevista à TV Clube, a delegada Bruna Verena, diretora de Proteção à Mulheres e aos Grupos Vulneráveis da Polícia Civil do Piauí, afirmou que as primeiras providências para identificar os suspeitos foram tomadas ainda no dia da ocorrência.
"Ainda no final de semana, nós realizamos as primeiras providências, como solicitação de perícia, registro de boletim de ocorrência e localização de imagens. Vamos tentar localizar todas as imagens que possam ter capturado esse fato e chegar até a autoria" disse.
Esse não foi o primeiro registro de violência contra a escultura. Em junho de 2024, o aquário que protege a imagem foi parcialmente destruído a pedradas durante a madrugada.
À época, os Povos de Terreiro do Piauí denunciaram o caso à Polícia Civil e afirmaram que o ataque atingia diretamente a liberdade religiosa e a dignidade das comunidades tradicionais.
Antes da instalação da imagem atual, a antiga escultura de Iemanjá, que era inspirada em Nossa Senhora dos Navegantes, também foi alvo de repetidos atos de vandalismo.
A inauguração da nova imagem, em abril de 2024, marcou um momento simbólico para os povos de terreiro. Pela primeira vez, Iemanjá passou a ser representada no Piauí com feições de mulher preta, em referência às origens africanas da orixá.
Aquário de proteção de estátua de Iemanjá é destruído a pedradas em 2024
Povos de Terreiros do Piauí
Pouco após a instalação, a escultura passou a sofrer ataques racistas nas redes sociais, levando lideranças religiosas a denunciarem dezenas de perfis à Delegacia de Proteção aos Direitos Humanos.
Para representantes das religiões de matriz africana, a repetição dos ataques evidencia a persistência do racismo estrutural e da intolerância religiosa.
Eles defendem que os casos não sejam tratados como vandalismo isolado, mas como crimes que violam a liberdade de crença e atingem o patrimônio cultural.
Como denunciar intolerância religiosa
Casos de intolerância religiosa podem ser denunciados à Polícia Civil, por meio do registro de boletim de ocorrência, ou diretamente à Delegacia de Proteção aos Direitos Humanos.
No Piauí, é possível fazer denúncias anônimas e pelo WhatsApp com o B.O. Fácil, através do número 0800 086 0190.
Também é possível acionar o Disque 100, canal do governo federal para denúncias de violações de direitos humanos, que funciona 24 horas por dia, de forma gratuita e anônima.
O crime de intolerância religiosa prevê pena de 2 a 5 anos de prisão e multa para quem impedir ou empregar violência contra manifestações ou práticas religiosas. A pena pode ser aumentada se o crime for cometido por duas ou mais pessoas.
Estátua de Iemanjá tem vidro quebrado e mão danificada em Teresina
Divulgação/APNMA-Brasil
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