Iniciativas sustentáveis que buscam reaproveitar minérios impulsionam práticas de economia circular no Pará

  • 28/11/2025
(Foto: Reprodução)
Instalações da Alunorte, em Barcarena Divulgação/ Hydro A busca por soluções sustentáveis permeia vários setores industriais no Brasil e no mundo. As iniciativas são para mitigar impactos ambientais, diminuir emissões de gases de efeito estufa e ainda assim manter ou até ampliar a capacidade de produção. No setor da mineração do Pará, a discussão se estabelece no paradoxo entre a crescente demanda global por minerais, essenciais para o desenvolvimento sócio-econômico das cidades, e o alto impacto ambiental, típico da atividade. ✅ Siga o canal do g1 Pará e receba as notícias direto no WhatsApp As soluções podem vir da ciência e do desenvolvimento tecnológico. No estado, o trabalho é realizado pelo Instituto Senai de Inovação em Tecnologias Minerais (ISI-TM). As pesquisas voltadas à mineração têm como foco as áreas de biotecnologia mineral, economia circular, transformação digital, saúde e segurança do trabalho. O objetivo é tornar a mineração mais sustentável, diminuir a pegada de carbono no processo produtivo e aumentar a competitividade da mineração. Entre os projetos estão o tratamento de resíduos da indústria mineradora, o uso de microrganismos em substituição a processos químicos, tratamento e reabilitação de áreas de mineração e o uso de subprodutos da mineração em outros setores industriais. Pesquisa avalia uso de resíduo de bauxita na melhora da qualidade dos solos Uma das iniciativas transforma o pó de basalto, resíduo do processamento da rocha utilizada como matéria-prima para produção de materiais da construção civil, em um fertilizante com capacidade de sequestrar carbono da atmosfera. Outro projeto mistura resíduo de bauxita e biomassa de dendê para produzir condicionador de solo e fertilizante (veja no vídeo acima). O instituto também desenvolve estudos para a criação de uma bactéria redutora de ferro que tem a capacidade de auxiliar na reabilitação ambiental das minas de Carajás, a maior mina de minério de ferro do mundo, localizada no município de Parauapebas, sudeste paraense. A pesquisa permite que espécies que só existem nessa região do país e correm risco de extinção possam voltar às áreas reabilitadas e, assim, fortalecer a biodiversidade local. “A gente diminui a pressão sobre a necessidade de aumento das minas, então já seria uma vantagem inicial. Em segundo lugar, há a valorização desses resíduos em outras cadeias industriais, também diminui a pressão e isso também é economia circular. Isso permite depois a recuperação, o reflorestamento, fixando carbono também em biomassa, fixando carbono no solo”, explica o diretor do Instituto Senai de Inovação em Tecnologias Minerais, Adriano Luchetta. Adriano Luchetta, diretor do Instituto Senai de Inovação em Tecnologias Minerais Reprodução/TV Liberal Nesse contexto, o conceito de economia circular, que é uma forma de organizar a produção e consumo evitando desperdício e aproveitando ao máximo recursos, é adaptado, já que a mineração reutiliza subprodutos do setor e rejeitos da mineração. Ainda assim é possível manter o valor daquele bem por mais tempo e o material, que já teve uma pegada de carbono maior durante o momento de extração, passa a ser uma matéria-prima com uma pegada de carbono mais baixa do que o mineral primário. "O foco é melhorar a vida útil da bacia" Em meio a essa realidade, a mineradora Artemyn, que atua com a extração e beneficiamento do caulim nos municípios paraenses de Barcarena e Ipixuna, desenvolveu o projeto premiado Working Horse 2 (WH2), que reaproveita o material depositado em bacias de rejeitos para produzir novos produtos, como papel e cerâmica. Roberto Antonio Macedo Silva, coordenador de produção da Artemyn. Artemyn O grande desafio e elemento central de engenharia do projeto era chegar na "blendagem ideal", que tornou viável o reaproveitamento do rejeito do WH2, permitindo que o material depositado substituísse o insumo de maior qualidade que era historicamente utilizado. A blendagem é a fórmula de mistura que permite o reaproveitamento do material da bacia para substituir o material mais nobre. Essa nova metodologia de reaproveitamento gera menos impacto ambiental, pois a utilização desses rejeitos aumenta a vida útil das bacias e evita a necessidade da criação de outras, é o que explica Roberto Antônio Macedo Silva, coordenador de produção da Artemyn. “O foco principal não era nem financeiro, era mais questão de melhorar a vida útil da bacia. Tem um potencial maior de vida útil”, diz Roberto. Segundo Roberto, o objetivo é transformar o que é considerado um passivo ambiental em matéria-prima com valor comercial, reduzindo ainda a retirada do material virgem diretamente da mina, minimizando o uso de combustível, a operação de caminhões e máquinas e a geração de poluentes associados ao transporte e à extração. Roberto destaca que projetos como o WH2 estão alinhados com as tendências globais de sustentabilidade e que existe um esforço para encontrar soluções menos nocivas ao meio-ambiente. “No último ano, nós estamos tendo um uma sinergia muito grande com a Semas [Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade], de questões ambientais. Então, estamos tendo reuniões todos os meses, até quinzenal, para alinhar e deixar bem claro o que a empresa pretende, junto com as comunidades, principalmente, não só trabalhando para ganhar dinheiro, mas trabalhando com as comunidades”. "Questão de sobrevivência" Doutor em ciências ambientais e mestre em engenharia urbana, Paulo Pinho destaca a necessidade de pensar o processo da mineração de forma mais ampla. O trabalho deve considerar não só o beneficiamento de minério, mas toda a cadeia produtiva, incluindo a destinação e uso potencial de rejeitos. “Eu tenho que pensar como eu vou extrair, quanto rejeito eu vou produzir, quanto desse rejeito eu vou reaproveitar. Tudo isso diminui os impactos ambientais, tudo isso diminui a emissão de CO2”. O conceito aplicado resulta em uma economia circular, a partir do desenvolvimento tecnológico. Significa usar a ciência para criar novos produtos e subprodutos que têm como matéria-prima os rejeitos da indústria mineral. Para o especialista, é uma questão de sobrevivência que deve estar associada também ao consumo sustentável. “No caso do setor da mineração, é preciso produzir consumindo menos água, consumindo menos energia, gerando menos resíduos, aproveitando os resíduos. Isso é uma nova forma de desenvolvimento. Internamente uma mineradora, uma empresa pode e deve realizar isso”. Ferro metálico “verde” Na refinaria Alunorte, braço da Hydro, em Barcarena, no Pará, o conceito de economia circular será aplicado com a construção da planta de demonstração semi-industrial da New Wave, que visa transformar o resíduo de bauxita em ferro metálico. A expectativa é que o ferro metálico produzido tenha uma pegada ambiental que é menos da metade daquela gerada por qualquer processo que não utilizam iniciativas sustentáveis. Por essa razão, o produto é classificado como um "ferro metálico verde". O consultor sênior em tecnologia da Hydro, Raphael Costa, explica que a refinaria Alunorte gera mais de 4,5 milhões de toneladas por ano de resíduos, os quais possuem uma concentração significativa de óxido de ferro (mais de 30%). Refinaria Alunorte Alunorte A inovação reside no processo de extração, que é descrito como "completamente pioneiro" e "muito limpo na questão ambiental". A planta de demonstração, que processará 50.000 toneladas de resíduo por ano, utiliza um método de tratamento térmico avançado. "Ela [a planta] pega o resíduo, peletiza e coloca numa câmara, numa correia que passa por várias câmaras de micro-ondas", explica Raphael Costa. Este tratamento inicial com micro-ondas faz com que o óxido de ferro no resíduo se altere, tornando-se magnetizado e "fácil de separar". Após essa etapa, o material é levado a um forno de indução. O grande diferencial na sustentabilidade está na fonte de energia. Costa explica que tanto o micro-ondas quanto o forno de indução são movidos a eletricidade, não queimando "nenhum combustível fóssil". "Microondas é a fonte é elétrica. Energia limpa. Depois, passa por um forno de indução que também é elétrico", diz o consultor sênior em tecnologia da Hydro. “Circularidade” Embora exija uma pequena quantidade mínima e precisa de carbono que deve reagir com óxido de ferro para convertê-lo totalmente em ferro metálico, essa fonte no futuro pode ser biomassa, “que também é um impacto zero ambiental", segundo Costa. O grande benefício para a refinaria é buscar a circularidade, transformando o que é estocado hoje em uma matéria-prima com valor comercial. O objetivo é eliminar gradualmente a necessidade de estocagem permanente de resíduo, o que gera um "impacto brutal, positivo na sociedade". Para ele, o trabalho é um indicativo de que a sustentabilidade e a viabilidade econômica andam juntas. VÍDEOS: veja todas as notícias do Pará Confira outras notícias do estado no g1 PA

FONTE: https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2025/11/28/iniciativas-sustentaveis-que-buscam-reaproveitar-minerios-impulsionam-praticas-de-economia-circular-no-para.ghtml


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