Justiça do Trabalho condena Bosch a pagar R$ 12,2 milhões por fraudes em perícias

  • 13/03/2026
(Foto: Reprodução)
Sede judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15) em Campinas João Gabriel Alvarenga/g1 O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região condenou a Robert Bosch Ltda., multinacional alemã do setor automotivo, a pagar R$ 12,2 milhões em indenizações por fraudar perícias trabalhistas. Do valor total, R$ 7 milhões correspondem a pagamento por dano moral coletivo, somados a R$ 60 mil para cada um dos 86 trabalhadores afetados. Em 2024, a empresa já havia sido condenada a pagar R$ 1,7 milhões em indenizações. Porém, nesta quarta-feira (11), o colegiado negou o recurso da Bosch e deu parcial provimento aos do Ministério Público do Trabalho (MPT) e do Sindicato dos Metalúrgicos, elevando os valores definidos em 1ª instância. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp Na decisão, a relatora, desembargadora Adriene Sidnei de Moura David, afirmou que a Bosch responde pelos atos do então gerente jurídico trabalhista e do assistente técnico contratado, em um esquema de corrupção e manipulação de laudos com pagamento de propina a peritos judiciais. O Tribunal concluiu que a prática violou a boa-fé processual e maculou a prestação jurisdicional, atingindo a coletividade de empregados e causando angústia e desequilíbrio processual aos autores das ações, independentemente do resultado de cada processo. O g1 tenta contato com a Bosch e a reportagem será atualizada quando houver retorno. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Esquema envolvia médicos peritos e empresas O caso teve início em 2016, com a deflagração pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal da “Operação Hipócritas”, que cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão contra médicos peritos nomeados pelo Judiciário e assistentes técnicos das partes para atuarem em processos trabalhistas. De acordo com as investigações, os envolvidos eram financiados pelas empresas que eram rés nos processos e contavam com a intermediação de advogados, ajustando o pagamento de propinas para a emissão de laudo pericial favorável à parte interessada. Envolvimento da Bosch afetou 86 funcionários Sede da Bosch, em Campinas (SP). Emerson Oliveira O MPT recebeu os autos da Operação Hipócritas e começou a investigar as empresas envolvidas, sendo uma delas a Robert Bosch Ltda., que foi alvo de delação premiada. Segundo as investigações, a multinacional alemã no Brasil contratou uma empresa especializada para prestar serviços de assistência técnica em perícias realizadas em reclamações trabalhistas. Ainda segundo as apurações, a adesão da Bosch ao esquema de corrupção com os peritos judiciais ocorreu no início do ano de 2010, quando um representante do departamento jurídico da empresa se reuniu com o assistente técnico para discutir medidas para elevar os índices de sucesso da Bosch nas perícias realizadas nas ações trabalhistas. A partir disso: O assistente técnico passou a intermediar o contato com os peritos judiciais no esquema de corrupção, inclusive sendo responsável pelo pagamento das propinas para que fossem fraudados os laudos periciais; Uma vez aceito ou solicitado pelo perito judicial o pagamento da vantagem indevida, o assistente técnico acionava a Bosch para disponibilizar os valores de propina; A consultoria emitia duas notas fiscais de serviços para a Bosch: uma destinada à remuneração dos serviços de assistência técnica efetivamente realizados, e outra com o valor da propina “embutido” no valor final. Foram flagradas trocas de mensagens entre peritos judiciais e o assistente técnico contratado pela Bosch. Em uma delas, o assistente técnico da multinacional enviou ao perito judicial a resposta à impugnação ao laudo pericial apresentada pelo reclamante que deveria ser elaborada pelo próprio perito nomeado pelo juízo. A resposta elaborada pelo assistente técnico foi apresentada no processo judicial como se ele, perito judicial, fosse o seu autor. Em outra mensagem de e-mail trocada com o assistente técnico, a perita judicial se refere ao pagamento da propina: “colocar em espécie para evitar rastro”. Entre os anos de 2010 e 2014, segundo apuração do MPT, houve o pagamento de valores “por fora” a oito peritos judiciais, que recebiam até R$ 3,5 mil por laudo. Nesse período, foram 86 ações perdidas por trabalhadores que, diante do esquema, não conseguiram comprovar doenças ocupacionais como perda auditiva, patologias osteomusculares, entre outras. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/03/13/justica-do-trabalho-condena-bosch-a-pagar-r-122-milhoes-por-fraudes-em-pericias.ghtml


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