Mãe diz que diretor de escola em Bebedouro, SP, sugeriu surra em filha autista

  • 29/11/2025
(Foto: Reprodução)
Famílias de crianças autistas denunciam escola municipal de Bebedouro, SP Uma das mães das crianças autistas que foram vítimas de maus-tratos na Escola Municipal Professor Stélio Machado Loureiro, no Centro de Bebedouro (SP), afirma que o diretor da unidade sugeriu que ela agredisse a própria filha como forma de 'acalmar' a menina. À EPTV, afiliada da TV Globo, Rosimeire Cristina Cardoso de Sousa, mãe de uma menina de 10 anos, disse que a orientação teria ocorrido durante uma visita à sala de aula. "Eu cheguei à porta da sala de aula com a minha filha, e ele [o diretor] olhou e falou 'olha mãe, tem uma salinha ali, por que você não leva ela e dá uma surra nela, que você vai ver como ela vai ficar boazinha'. Naquela hora eu parei e fiquei olhando para a cara dele, não tive reação". ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Rosimeire diz que já desconfiava das agressões e que, no mesmo dia, ouviu a filha gritar por socorro. Ao entrar na escola, afirma ter flagrando o diretor puxando a menina para fora da sala. "Ficava ali esperando, porque já estava desconfiada que tinha alguma coisa errada e, nesse dia, escutei ela gritando 'socorro' e desci. No que entrei, vi ele puxando ela de dentro da sala de aula e gritando com ela, 'você vai ficar aqui no pátio'. Aí falei para a moça 'vou entrar e vou pegar minha filha'. Ele falou 'não, você não pode entrar', mas eu entrei, peguei e levei embora". Escola Municipal Prof. Stélio Machado Loureiro, no Centro de Bebedouro Reprodução/EPTV Após o episódio, Rosimeire conta que levou a filha ao psiquiatra, que a afastou das atividades escolares até o fim do ano. Ela diz querer manter a menina na escola, mas apenas se os funcionários denunciados forem afastados. "Eu queria mantê-la lá, mas desde que as pessoas que estejam lá sejam afastadas. Tanto a vice, o diretor, a cozinheira também, porque ela não tem paciência, e a auxiliar, porque ela não teve paciência e capacidade de cuidar da minha filha. Eu espero que seja feita a justiça, que eles sejam afastados". Em nota enviada à EPTV, a Prefeitura de Bebedouro informou que a Secretaria de Educação abriu um processo administrativo, ouviu os funcionários e encaminhou toda a documentação à Comissão Processante (CP), que irá analisar o caso. Menina de 10 anos sofria maus tratos na instituição de ensino em Bebedouro, SP Reprodução/EPTV Investigação Além de Rosimeire, Neiva Santos Paes, mãe de um menino de 6 anos que estuda na mesma escola, também procurou a polícia para registra um boletim de ocorrência. Neiva diz que descobriu há um mês que o filho era isolado dos colegas e agredido por funcionários. "Ele era proibido de participar da aula de leitura, era colocado dentro de uma sala vazia para não incomodar. O que era para ser a sala da inclusão, na verdade, era uma sala vazia. Era levado para o parque às 14h para ficar no parque e não incomodar. Ele era proibido de pegar água para não quebrar a torneira, proibido de comer para não sujar. A cozinheira chegou a jogar tomate na cara do meu filho". Como o menino não fala, Neiva conta que desconfiou da situação quando o filho começou a relutar em ir para a escola. Após as agressões virem à tona, a mãe decidiu trocar a criança de unidade. "Ele arrancou o cabelo, chorava demais para entrar na escola. Tinha dia que tinha de vir duas auxiliares para ajudar a tirar ele do carro, porque ele não queria entrar [na escola]." As duas mulheres ainda afirmam que outras crianças autistas também já sofreram maus-tratos na instituição de ensino. Mães denunciam agressões contra filhos autistas em escola de Bebedouro, SP Reprodução/EPTV A advogada Kézia Ribeiro, que representa as famílias, diz esperar punição aos envolvidos e que o caso motive a criação de políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência no município. "A gente já protocolou, na esfera administrativa, o [pedido de] afastamento dos envolvidos. Na esfera penal, a defesa espera pelo oferecimento da denúncia e também espera que esse caso seja o início de uma política municipal que vise a proteção dessas crianças". Auxiliar docente confirma agressões Por oito meses, Aline Fernandes foi auxiliar na escola denunciada pelas mães e diz ter presenciado as agressões enquanto trabalhou no local. "Ele [o filho de Neiva] estava sofrendo muita discriminação, maus-tratos. Outras crianças também, agressão física e verbal, aquilo começou a me deixar muito triste. Falei para o diretor que ia falar para a mãe, que ia sair, que não estava mais aguentando aquele emprego. Fui ameaçada de morte, comecei a passar muita perseguição". Segundo ela, uma das crianças era chamada de 'insuportável' por uma pessoa da direção da escola. "É uma criança que não fala, é um menino muito amoroso, extremamente carinhoso. Eu sei que é difícil, mas é só a gente ter paciência, essas crianças precisam de paciência, de amor". Após os episódios frequentes, Aline saiu da escola e diz que decidiu denunciar para que todos tenham conhecimento. "Fui ficando assustada, indignada de ver como a gestão e funcionários tratavam muitas crianças, inclusive crianças de colegas de trabalho que ainda estão lá. Foi horrível, quando tinha algum evento, tinha de tirar o menino pra não atrapalhar. Se existe justiça, vou atrás da justiça. Sai daquele emprego, porque me fez muito mal, mas quero justiça, os pais precisam saber". Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2025/11/29/mae-diz-que-diretor-de-escola-em-bebedouro-sp-sugeriu-surra-em-filha-autista.ghtml


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