'Não dá pra viver sem VPN': como brasileiros na Rússia driblam restrições às redes sociais

  • 19/02/2026
(Foto: Reprodução)
Imagem de Paola e Clarissa, brasileiras que moram na Rússia. Acervos pessoais A Rússia anunciou o bloqueio total do WhatsApp na última quinta-feira (12) e, no dia anterior, disse que ia começar a restringir gradualmente o Telegram. O país alega que essas plataformas são usadas para propagar conteúdos criminosos; já as empresas chamam a ação de retrocesso contra a liberdade de expressão. Na prática, essa mudança não teve grande impacto nos brasileiros que moram no país e já estão acostumados a usar uma VPN para burlar essas proibições. "Pessoal já faz isso há muito tempo. É algo essencial aqui, não tem como você viver sem VPN", afirma Paola Loureiro, de 25 anos, que nasceu em Minas Gerais e faz mestrado em linguística em Moscou há dois anos e meio. Ela preferiu não informar o nome da faculdade por medo de represália. 🔎​"VPN" (sigla para rede privada virtual) é uma tecnologia que cria uma espécie de “túnel” criptografado na internet, que mascara a localização do usuário. Assim, pode ser possível acessar serviços bloqueados pelo governo local. Essa ferramente foi criada originalmente para permitir que funcionários acessem as informações da empresa de forma segura, mesmo fora do escritório. Mas hoje também é usada de outras finalidades. Por que a Rússia tentou 'bloquear completamente' WhatsApp no país Veja os vídeos que estão em alta no g1 Em 2022, após o começo da guerra com a Ucrânia, a Rússia anunciou o bloqueio do Instagram e do Facebook. Na época, o país classificou a Meta, dona dos aplicativos, como uma organização extremista. Paola conta que, desde essa época, seus conhecidos brasileiros e russos já usam uma VPN e que ela começou a usar assim que chegou no país. Apesar disso, ela usava uma VPN gratuita que, segundo ela, não era estável. Ela passou a pagar pelo produto em setembro de 2025, depois que a Rússia restringiu as ligações de voz e vídeo no WhatsApp e no Telegram. "Eu usava esses recursos para falar com a minha família no Brasil. Então, fui atrás de uma VPN melhor. Hoje pago cerca de R$ 10 por mês e falo com eles diariamente pelo WhatsApp, por mensagem ou ligação", conta. Ela não é a única. Segundo a Meta, dona do WhatsApp, o aplicativo tem mais de 100 milhões de usuários na Rússia. Paola explica que o funcionamento da VPN é simples: basta baixar o aplicativo e mantê-lo ativado. "A maior chateação é a burocracia. Vira e mexe o governo bloqueia alguma VPN, aí temos que baixar outra. Não é difícil, porque circulam links no Telegram, mas é chato", afirma. Além disso, ela comenta que manter uma VPN ligada gasta mais bateria e que, às vezes, mesmo as versões pagas apresentam instabilidade. 'Nem percebi a mudança' Clarissa Ribeiro, de 25 anos, é pernambucana e se mudou para a Rússia há cerca de dois anos para estudar veterinária na Academia Estatal de Medicina Veterinária e Biotecnologia, uma universidade pública em Moscou. Assim como Paola, ela usa VPN desde que chegou ao país, mas começou a usar uma paga no fim de 2025 para ter uma conexão melhor. Tão acostumada ao recurso, ela nem tinha percebido o bloqueio total anunciado nesta semana — que inclui também o envio de mensagens. Para testar o funcionamento do WhatsApp, Clarissa saiu da VPN e mandou uma mensagem para o g1 — que não chegou. Mas, ao reativar o recurso, a mensagem chegou instantaneamente. "Então, realmente o WhatsApp parou de funcionar sem a VPN", constatou. Em relação ao Telegram, Paola e Clarissa disseram que continua sendo possível enviar e receber mensagens sem a VPN, mas que nessa semana ficou mais lento. Já o Instagram e o Facebook seguem inacessíveis sem a VPN. ‘Disseram que, se não baixássemos o app russo, não poderíamos fazer as provas’ Max, aplicativo promovido pelo governo da Rússia Reprodução/Max Ao mesmo tempo em que restringe aplicativos não ligados ao governo, a Rússia promove o uso do Max, aplicativo inspirado no chinês WeChat, que permite trocar mensagens e utilizar serviços do governo. Mas, diferente do WhatsApp, por exemplo, ele não tem criptografia, o que permitiria que terceiros acessassem as mensagens, segundo o jornal Financial Times. A Rússia nega as acusações. O receio de ter a privacidade violada faz com que Paola e seus amigos evitem o aplicativo. Segundo ela, o Max é mais comum entre pessoas mais velhas, que não conhecem a VPN. Além disso, tanto Paola quanto Clarissa dizem já terem sido pressionadas pelas universidades para baixar o Max — o que nenhuma das duas fez. Clarissa conta que, em dezembro de 2025, a universidade chegou a avisar que estudantes não poderiam fazer as provas de janeiro se não instalassem o Max. "A conexão de todos os estudantes [ao Max] é estritamente obrigatória. Caso contrário, Khayam Zakirovich [vice-reitor da faculdade de medicina veterinária] não concederá a vocês a autorização para fazer os exames", diz a mensagem. O aviso, segundo Clarissa, não foi enviado diretamente pela reitoria. Ele foi publicado no grupo da turma no Telegram pelo representante da sala — aluno que normalmente repassa comunicados após conversar com a diretoria. O g1 teve acesso à mensagem. Apesar da ameaça, ela afirma que a maioria dos alunos ignorou a orientação e conseguiu fazer as provas normalmente. "Eu não dei a mínima, fiz os exames, ninguém chamou minha atenção", conta. Logo WhatsApp Unsplash/Dima Solomin Veja mais: 'Vivo sob ameaças constantes': a australiana que tenta tirar crianças das redes sociais Como o julgamento histórico da Meta e do Google pode impactar o Brasil? Grok: ferramenta gratuita da rede social X é usada para criar imagens íntimas falsas

FONTE: https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2026/02/19/nao-da-pra-viver-sem-vpn-como-brasileiros-na-russia-driblam-restricoes-as-redes-sociais.ghtml


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