'O Rio não é uma cidade em que a gente vive, mas sobrevive', diz humorista que perdeu o filho em acidente com bike elétrica
01/04/2026
(Foto: Reprodução) Humorista pai de menino morto em atropelamento na Tijuca reclama de falta de estrutura
Em meio à dor pela perda do filho, o humorista Vinicius Antunes, pai do menino Francisco Farias Antunes, de 9 anos, que morreu ao lado da mãe em um acidente com bicicleta elétrica no Rio de Janeiro, fez um apelo por mais responsabilidade e melhorias estruturais na cidade.
“Espero que as pessoas vejam isso e punam, se tiver que punir alguém. Mas o certo é que ele não vai voltar”, disse emocionado no enterro do filho.
Ele criticou a falta de condições adequadas para a população e destacou o sentimento constante de insegurança:
“O Rio de Janeiro não é uma cidade que a gente vive, é uma cidade que a gente sobrevive. Todo dia pessoas saem de casa e não voltam mais.”
Ele reforçou a necessidade urgente de mudanças, cobrando mais segurança tanto no trânsito quanto na segurança pública. “Tudo isso é muito importante."
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Vinicius Antunes no enterro do filho, Francisco
Rafael Nascimento/g1 Rio
Paixão pelo Vasco e pelo Botafogo
Conhecido como Cacofonias nas redes sociais, Vincius também destacou a relação do filho com o futebol. O menino era torcedor do Vasco, mas tinha um carinho especial pelo Botafogo, clube onde jogava.
“Ele era vascaíno, mas adorava o Botafogo também, jogava no Botafogo. A gente foi muito feliz, mesmo sendo vascaínos, a gente foi muito feliz”, contou.
Vinicius também chamou atenção para as dificuldades enfrentadas no tratamento de saúde do filho, que era portador de diabetes tipo 1. Ele criticou a falta de suporte adequado no país para pacientes com a condição e relatou os altos custos envolvidos.
“Meu filho era diabético tipo 1 e infelizmente no Brasil diabético tipo 1 ainda está muito à margem, a gente precisa melhorar o tratamento”, afirmou, reforçando a necessidade de mais acesso e políticas públicas voltadas ao cuidado com a doença.
Agradecimento ao Pedro II
O humorista fez um agradecimento especial ao Colégio Pedro II, ressaltando a estrutura oferecida e o cuidado da equipe de enfermaria, que acompanhava o filho no dia a dia. Para ele, todas as escolas deveriam estar capacitadas para receber estudantes com necessidades de saúde específicas.
"Eu quero muito agradecer ao Pedro II, que é um colégio que tinha toda a estrutura para receber o meu filho. Eu quero agradecer as duas moças da enfermaria que cuidavam do meu filho, com diabete", disse em meio a lágrimas.
Os corpos de Franciso e da mãe, Emanoelle Martins Guedes de Farias, de 40 anos, foram sepultados no começo da tarde desta quarta-feira (1º) no Cemitério da Penitência, no Caju, na Zona Portuária da cidade.
Familiares e amigos se reuniram desde as 9h para se despedir das vítimas. Os caixões foram levados para capelas próximas.
"Aquele moleque era alegre, extrovertido, fazia luta, futebol. Uma criança supre alegre. Uma luz que se apagou e que não será fácil", disse Altanir Correia, primo de Emanoelle.
Vinicius Antunes, o Cacofonias (de azul), no enterro do filho e da ex
Rafael Nascimento/g1
Relembre o acidente
Mãe e filho morreram após serem atingidos por um ônibus enquanto estavam em uma bicicleta elétrica na Rua Conde de Bonfim, na segunda-feira (30). O caso é investigado pela Polícia Civil, que apura as circunstâncias do acidente.
Câmeras de segurança da empresa Gabriel registraram o acidente. As imagens contradizem a versão do motorista do ônibus e de testemunhas, que afirmaram que a família foi fechada por um carro preto. Esse veículo teria fechado ou até encostado na bicicleta.
Vídeo mostra atropelamento que matou mãe e filho na Tijuca
Emanoelle conduzia a bicicleta e levava Francisco na garupa. Por volta das 13h15, eles trafegavam pela faixa da esquerda da Rua Conde de Bonfim e passavam pela Rua Pinto de Figueiredo.
Um ônibus verde, da linha 606, aparece saindo da faixa da direita para a esquerda, para desviar de um táxi parado perto da calçada. Quando parece ultrapassar a bicicleta, passando bem perto, Emanoelle e Francisco são cobertos na imagem pelo coletivo.
Poucos segundos depois, mãe e filho ressurgem no vídeo, já caídos no chão e imóveis.
Pessoas que estavam próximas correm para prestar socorro e isolar a área, enquanto o coletivo para alguns metros adiante.
Nas câmeras de segurança, o carro preto que teria causado o acidente está sempre atrás do ônibus e, em nenhum momento, se aproxima da bicicleta. O automóvel freia após o acidente, mantendo distância, e só passa pelo ponto do atropelamento às 13h19, 4 minutos depois.