Piso com suástica do Palácio da Redenção é exibido no Museu de João Pessoa: 'surgiu a necessidade de expor'

  • 22/02/2026
(Foto: Reprodução)
Palácio do governo da Paraíba foi decorado com suásticas por 60 anos Uma peça do piso com suásticas do Palácio da Redenção, que foi sede oficial do governo da Paraíba por quase 200 anos e atualmente foi transformado no Museu de História da Paraíba, está em exibição no Museu da Cidade de João Pessoa. Ao g1, o responsável pelo museu, Iam Dantas, explicou o motivo para a exposição e disse que isso "surgiu de uma necessidade". O então Palácio da Redenção teve o piso com suásticas gravadas por quase 60 anos, entre as décadas de 1930 e 1990. A decoração foi instalada em 1937, durante o mandato do governador Argemiro de Figueiredo. Naquele momento, o regime nazista de Hitler estava estabelecido na Alemanha. As peças só foram retiradas durante o governo de Antônio Mariz, em 1995. Responsável pelo museu de João Pessoa, que é administrado pela Secretaria de Cultura do Governo Estadual, Iam Dantas disse que apenas um ladrilho está em exibição no local e que o restante das amostras estão guardadas, e sem previsão de exibição, no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep-PB). "Como o espaço não foi contemplado no Museu de História da Paraíba, se foi pensando que deveria ser contado em algum lugar e surgiu a necessidade de expô-lo no museu da cidade", disse o responsável. Em relação ao motivo pela exposição de uma peça que remete ao regime nazista, e que foi retirada do piso do Palácio da Redenção em meados da década de 1990 após reclamações de historiadores à época, ele disse que o "fato faz parte da história da cidade" e, portanto, "por que não exibi-la?". "A pergunta deveria ser o oposto: por que não exibi-la? Esse evento faz parte da história da nossa cidade e é um fato que não pode ser apagado. É uma memória preservada em um objeto material", explicou. A exposição das peças em um museu é uma promessa feita há 29 anos pelo então governador Antônio Mariz, que pediu a retirada do piso por se sentir incomodado com as suásticas no caminho para o seu gabinete e defendeu que “o Palácio da Redenção não poderia ser vitrine de nenhum pensamento ideológico”. No ano passado, com a expectativa para inauguração do Museu de História da Paraíba, no prédio do antigo Palácio da Redenção, havia a possibilidade do material ter exposto no local, mas o que acabou não sendo confirmado. O museu foi inaugurado em outubro de 2025. A história do piso de suásticas Conheça história do piso com suásticas que ficou quase 60 anos no Palácio do governo da PB Construído em 1586, o Palácio da Redenção foi residência oficial do governador da Paraíba e a sede do poder executivo estadual. Antes do início da restauração do prédio, o palácio era utilizado para eventos especiais do governo, como receber chefes de outros estados. A estrutura do prédio passou por várias alterações ao longo desses mais de 400 anos de história e, em uma dessas reformas - na década de 30, mesma época da ascensão da Alemanha Nazista - foram instalados os ladrilhos com suásticas. Há várias versões sobre a instalação do piso. O historiador José Octávio de Arruda Melo aponta o que seria a discussão mais aprofundada sobre a instalação das peças no seu livro “Os Italianos na Paraíba”. Segundo o escritor, os ladrilhos foram instalados durante reformas solicitadas pelo então governador Argemiro de Figueiredo, que assumiu o cargo em 1935. Inicialmente, o historiador afirmava que o arquiteto Márcio de Lascio presenciou a instalação dos ladrilhos e disse que os símbolos representavam suásticas gregas, sem qualquer ligação com o nazismo. Porém, em uma nova edição do livro, o historiador considerou que os fatos não permitem essa conclusão. Ladrilhos com suásticas foram retirados do Palácio da Redenção em fevereiro de 1995 Reprodução/Arquivo/Jornal A União Octávio destaca a posição de liderança do arquiteto Giovanni Gioia, apontado como o responsável pela instalação dos ladrilhos com suástica, na organização da ala militante do fascismo italiano na Paraíba, participando de um grupo que divulgava as ideias de Mussolini, seja por meio de livros, revistas, palestras e até por meio do ensino do idioma italiano. Ele também afirma que o arquiteto “fazia-se partidário da aliança da Itália de Mussolini com a Alemanha de Hitler”, após a celebração do Pacto de Aço. Ainda segundo o livro do historiador, a ascensão dos nazistas em 1933 transformou a suástica em algo característico do governo de Hitler. A historiadora Loyvia Almeida explica que as suásticas eram símbolos utilizados por antigos povos na Índia, China e por outras civilizações ainda mais antigas. Hitler se apropriou de um símbolo já existente e deu à suástica um novo significado. E a pesquisadora não acredita que as suásticas do Palácio da Redenção sejam referentes ao símbolo anterior ao governo nazista. As suásticas nazistas costumam ser representadas viradas em um ângulo de 45 graus, mas o símbolo do piso não está nessa posição. De acordo com Loyvia Almeida, apesar de não apresentar esse ângulo, o piso faz referência ao nazismo porque era um símbolo em ascensão nesse período histórico em várias partes do mundo, inclusive no Brasil. A retirada dos ladrilhos O governador Antônio Mariz decidiu retirar os ladrilhos com suásticas em fevereiro de 1995, no segundo mês do seu curto governo. Ele ordenou a retirada porque considerou que o elemento decorativo não pertence à composição original do Palácio da Redenção e foi colocado em uma época posterior à construção do prédio histórico. O superintendente da Suplan na época, Paulo Souto, afirmou que estavam sendo retirados cerca de 90 metros de mosaicos com suásticas. Os ladrilhos com suásticas foram retirados do Palácio da Redenção em fevereiro de 1995 Reprodução/Arquivo/Jornal A União Dois dias depois da retirada, no dia 17 de fevereiro, o ex-governador Antônio Mariz disse em entrevista ao programa de rádio “A Voz da Cidadania”, também registrada em matéria do Jornal da Paraíba, que “o Palácio da Redenção não pode ser vitrine de nenhum pensamento ideológico”. Mariz também disse que se sentia mal ao entrar no Palácio e ver o símbolo nazista ostentado no piso que dá acesso ao seu gabinete. Em 14 de fevereiro de 1995, o Jornal da Paraíba afirma que as peças seriam levadas para um Museu do Estado. Os ladrilhos foram guardados na sede da Superintendência de Obras do Plano de Desenvolvimento do Estado (Suplan). Ex-governador Antônio Mariz decidiu retirar os ladrilhos com suásticas do palácio do governo da Paraíba em fevereiro de 1995, no segundo mês do seu curto governo; Mariz morreu sete meses depois TV Cabo Branco/Arcevo Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba

FONTE: https://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2026/02/22/piso-com-suastica-do-palacio-da-redencao-e-exibido-no-museu-de-joao-pessoa-surgiu-a-necessidade-de-expor.ghtml


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