Presidente, senadora e coronel da PM: professoras e motorista de aplicativo descobrem mais erros nas carteiras de trabalho
20/05/2026
(Foto: Reprodução) Brasil tem três ‘presidentes da República’ no cargo há mais de 20 anos; entenda
Após a repercussão dos casos de três mulheres registradas como "presidentes da República" na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) Digital, mais três trabalhadores do Grande Recife contaram à TV Globo que passaram pelo mesmo problema.
Além de uma quarta "presidente", foram descobertos os registros de uma "senadora" e um "coronel da Polícia Militar". Parte dos cadastros ainda aparece no documento com vínculo ativo, o que pode causar transtornos para buscar vagas de trabalho e requerer aposentadoria.
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Procurado, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) informou que os erros se deram no cadastramento de códigos da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) e orienta os trabalhadores a entrar em contato com a central do órgão pelo número 135 ou solicitar a atualização dos dados pela internet (saiba mais abaixo).
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Ao verificar os dados trabalhistas, a professora Carolina Lima descobriu ser mais uma "presidente da República" lotada na prefeitura de Jaboatão dos Guararapes. No documento, consta que ela é chefe de Estado desde 2003. No meio desse "mandato" de 23 anos, a educadora também exerceu o cargo de senadora entre 2011 e 2012, segundo o documento.
"A partir do momento em que eu baixei o aplicativo da CTPS digital, verifiquei que eu tenho esse vínculo [de presidente] com a prefeitura de Jaboatão aberto. Também tenho um junto ao governo do estado como senadora. Esse está fechado. Eu exerci a função de senadora por um ano [...]. Sou professora, atuo na área de educação a minha vida inteira, nunca tive nenhum desses cargos eletivos", disse.
A professora disse que constatou o erro no fim do ano passado e tentou corrigir os dados, primeiro, com o município e o estado. Depois, procurou o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), mas até agora não conseguiu uma resolução definitiva.
"Procurei as duas esferas, tanto na municipal quanto na estadual, mas há um desencontro de informação. Então, assim, a gente que não dispõe de muito tempo para resolver, acaba deixando para lá. [...] Entrei com um pedido junto ao INSS para o INSS fechar o vínculo de presidente da república, que está em análise. Ainda não obtive uma resolução", afirmou.
Carolina Lima descobriu que está registrada como 'presidente da República' na carteira de trabalho digital
Reprodução/TV Globo
Senadora e coronel da PM
Outra professora que descobriu ser senadora consultando o registro na carteira de trabalho foi Maria Gorete Vale de Lira Silva, do Cabo de Santo Agostinho. Assim como a técnica de enfermagem Aldenize Ferreira da Silva, ela viu o erro quando foi a uma agência do trabalho para tentar se candidatar a uma vaga de emprego.
À TV Globo, Gorete contou que hoje atua como professora autônoma, mas já trabalhou na área de logística e como assistente administrativa. Segundo ela, o registro de senadora ficou vinculado a uma empresa que faliu.
"Quando eu fui ver, fui me deparar esse ano, fui procurar emprego e, quando eu abri minha carteira digital, estava lá como senadora. [...] Eu queria o salário, mas infelizmente, né?. [...] Fui à agência do trabalho, aí eles me contaram que eu tinha que procurar a empresa. Só que a empresa onde eu trabalhava fechou, a antiga Ermol. O nome dela realmente é Imobili na carteira. E aí ficou senadora e eu não sei onde procurar para fazer", disse.
Morador de Paulista, outra cidade da Região Metropolitana, o motorista de aplicativo Décio Rogério também foi pego de surpresa ao checar seus dados após assistir à reportagem do Bom Dia Pernambuco sobre o assunto. Na carteira de trabalho, consta que ele foi registrado como coronel da Polícia Militar, com vínculo ativo há 19 anos.
"Queria solucionar esse erro lá na carteira de trabalho, porque, até para se aposentar futuramente, você pode ter alguma complicação mediante algum erro de digitação de alguém", afirmou.
O que diz o MTE
Em nota enviada ao g1 na terça-feira (19), o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) informou que:
de 2002 até 2019, quando foi implantada a CTPS Digital, os empregadores informavam ao INSS os vínculos empregatícios de seus trabalhadores por meio da Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social (GFIP);
nesse período, algumas empresas registraram a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), incluindo, em determinados casos, o código referente ao cargo de Presidente da República;
com a implantação da Carteira de Trabalho Digital, em setembro de 2019, as informações passaram a ser importadas da base de dados do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), administrado pelo INSS;
dessa forma, registros enviados pelos empregadores foram automaticamente reproduzidos na carteira digital, que fica na aba "Outros vínculos";
para os vínculos registrados já na carteira digital, não há mais apresentação da descrição da CBO e sim do cargo informado pela empresa na descrição do campo "cargo" do e-Social, o que evita esse tipo de erro.
Para corrigir o erro e solicitar a atualização de vínculos trabalhistas e remunerações no CNIS, o MTE disse que orienta os trabalhadores a procurar a Central do MTE ligando para o número 135, que funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h, ou entrar no site Meu INSS.
Segundo o órgão, quem optar por resolver o problema por telefone deve pedir ao atendente o serviço de "Atendimento de Vínculos e Remunerações". Depois, é necessário apresentar, ao menos, um desses documentos:
cópia das páginas de identificação;
vínculo onde consta presidente da república;
contrato de trabalho e anotações gerais;
Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho (TRCT);
o extrato do FGTS.
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