Profissionais da educação de Curitiba suspendem greve após acordo com prefeitura e aulas retornam nesta quinta (9)
08/04/2026
(Foto: Reprodução) Profissionais da educação municipal iniciam greve em Curitiba
Reprodução/RPC
Os profissionais da rede municipal de educação de Curitiba suspenderam na noite desta quarta-feira (8) a greve iniciada pela manhã. A decisão foi tomada após assembleia do Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (Sismmac) e do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba (Sismuc).
As aulas serão retomadas normalmente nesta quinta-feira (9).
Algumas escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) tiveram as aulas suspensas. Segundo o Sismuc, 216 CMEIs aderiram à paralisação. Já o secretário municipal de educação, Paulo Schmidt, afirmou que cerca de 95% das unidades atenderam os alunos, apesar da paralisação.
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Segundo as lideranças sindicais, a suspensão da greve foi definida após reunião com a prefeitura de Curitiba durante a tarde, no Palácio 29 de Março, sede do Executivo municipal.
A coordenadora-geral do Sismuc, Juliana Mildemberg, destacou que a paralisação pode ser retomada caso as medidas acordadas com a prefeitura não sejam tomadas. "A categoria definiu por suspender a greve, não encerrar a greve, e voltar a qualquer tempo se a prefeitura não cumprir com qualquer um dos pontos negociados em mesa hoje, que foram assumidos como compromissos pela gestão municipal", disse.
O g1 perguntou aos sindicatos e à prefeitura quais foram os pontos acordados durante a reunião, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.
Profissionais da educação iniciam greve em Curitiba
Segundo o Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (SISMMAC) e o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba (Sismuc), a paralisação foi motivada por uma série de reivindicações da categoria. São elas:
Falta de profissionais nas escolas, com sobrecarga e adoecimento de professores;
Ausência de apoio para inclusão, com falta de profissionais especializados e turmas superlotadas;
Desorganização no início do ano letivo, com orientações improvisadas e aulas fora da área de formação dos docentes;
Problemas estruturais nas escolas, como obras inacabadas e uso de espaços improvisados
Falhas na instalação de ar-condicionado, com equipamentos que não funcionam ou oferecem riscos;
Desvalorização profissional, com falta de reconhecimento para professores com especialização, mestrado e doutorado.
A Prefeitura de Curitiba anunciou após a reunião com os sindicatos que o percentual de beneficiados no crescimento vertical (iniciativa que prevê aumento salarial para os profissionais que investirem em especialização e formação profissional) foi elevado. Segundo a prefeitura, essa medida vai beneficiar mais da metade dos inscritos na iniciativa.
A rede municipal de educação tem 11.540 servidores. Desses, 6.576 se inscreveram para o crescimento vertical.
A prefeitura diz que a regra atual prevê avanço de até 20% do total da rede, mas afirma que ampliou a proposta para 30% do total. Além disso, na proposta apresentada, também houve melhoria nos percentuais de crescimento: 30% de avanço no nível 1 e 25% de avanço nos níveis 2 e 3, com implantação em setembro deste ano.
Também após a reunião com os representantes da categoria, a administração municipal afirmou que os servidores receberão vale-alimentação a partir de março de 2027. O valor deverá ser pago aos servidores do nível médio e básico e do Magistério. Segundo a prefeitura, também será feito, ainda este ano, um ajuste para manter o vale-alimentação do grupo de servidores que havia perdido o direito ao benefício.
Diana Abreu, presidente do Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (Sismmac) comentou a suspensão da greve. "Nós avaliamos o dia de hoje como um dia positivo, fizemos uma grande passeata no centro de Curitiba com uma adesão incrível das escolas no movimento de greve. A prefeitura reconhece isso a medida que negocia e nós temos ali algumas questões importantes que foram pactuadas", afirma.
No início da manhã, os profissionais se concentraram na Praça 19 de Dezembro, no Centro da capital, e partiram em caminhada em direção à prefeitura. Os profissionais da educação estavam em estado de greve desde novembro de 2025
"Nós seguiremos mobilizados cobrando que essas propostas se efetivem, mas neste momento, então, as escolas retornam a funcionar normalmente. Mas a gente seguirá sempre lutando para que o trabalho que se faça na escola seja de qualidade para as crianças e seja também de qualidade para o professor que está lá trabalhando e que esse professor seja valorizado", afirma a presidente do Sismmac.
Decisão da Justiça determinou multa para os grevistas
O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) considerou ilegal a paralisação. Em uma decisão liminar, o desembargador Ramon de Medeiros Nogueira disse que a greve é "abusiva" e estabeleceu multa diária de R$ 100 mil ao Sismmac, caso o movimento fosse iniciado, além do desconto dos salários dos servidores que aderirem.
A decisão aponta que não houve esgotamento das negociações, nem garantia de percentual mínimo de servidores em atividade. Também aponta que o prazo mínimo de 72 horas para comunicação da greve não foi respeitado.
Uma segunda liminar, assinada pelo desembargador Coimbra de Moura, determinou que o Sismuc não iniciasse a paralisação nem impedisse o acesso de servidores e usuários às unidades educacionais. O desembargador prevê multa diária de R$ 20 mil em caso descumprimento.
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