Relator da proposta de autonomia financeira do BC entrega projeto à Comissão de Constituição e Justiça do Senado

  • 16/04/2026
(Foto: Reprodução)
Relator da PEC da autonomia financeira do BC entrega à CCJ relatório sobre o projeto O senador Plínio Valério, do PSDB, entregou nesta quinta-feira (16) para a Comissão de Constituição e Justiça o relatório do projeto de autonomia financeira do Banco Central. Em 2021, o Congresso Nacional aprovou uma lei que deu autonomia operacional ao BC. A partir daí, o presidente e os oito diretores do banco - indicados pelo presidente da República e aprovados pelos senadores - passaram a ter mandatos fixos de quatro anos e garantiram estabilidade nos cargos contra demissões por motivações políticas. A alteração aproximou a legislação brasileira à de países desenvolvidos, reduziu a instabilidade econômica em períodos de transição de governo e tem permitido que o Banco Central atue com mais eficiência no controle da inflação. O principal instrumento usado pelo Banco Central para fazer esse controle é a taxa básica de juros, conhecida como Selic. Economistas dizem que a taxa seria mais alta se o Banco Central não tivesse autonomia operacional. O BC também atua na prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo. Ele fiscaliza a atuação dos bancos, fintechs e outras instituições, em proteção ao sistema financeiro. Apesar da autonomia nas operações, o Banco Central continuou sem autonomia financeira — sem independência, por exemplo, para contratar servidores e comprar equipamentos. Em 2023, o senador Vanderlan Cardoso, do PSD, apresentou uma proposta de emenda à Constituição para o BC conquistar também essa autonomia. Três anos se passaram e, em audiência na semana passada no Congresso, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que o BC está funcionando quase no limite de sua capacidade operacional. Hoje, um servidor fiscaliza quase 30 instituições financeiras. Diante desse cenário, Galípolo fez um pedido de socorro aos deputados e senadores. O gráfico do BC mostra a queda de quase 35% no número de servidores em duas décadas: caiu de 5.072 para 3.331. O Banco Central da Índia, segundo Galípolo, tem 13 mil servidores e o dos Estados Unidos, 23 mil. Relator da proposta de autonomia financeira do BC entrega projeto à Comissão de Constituição e Justiça do Senado Jornal Nacional/ Reprodução O relator da PEC da autonomia orçamentária, administrativa e financeira do BC, senador Plínio Valério, do PSDB, entregou nesta quinta-feira (16) à Comissão de Constituição e Justiça do Senado um novo texto. Ele transforma o Banco Central em uma entidade pública de natureza especial, com autonomia para administrar seus recursos tecnológicos, humanos e financeiros - entre eles, o PIX. Como se trata de uma PEC, o processo de votação é longo no Senado e na Câmara. Mas o relator espera que a proposta seja aprovada ainda em 2026. Segundo Plínio Valério, não se trata de dar um cheque em branco para o BC, que terá orçamento aprovado pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Senado. "Não vai haver perigo nenhum do Banco Central exceder naquilo que ele quer. Ele pode até pedir além do que precisa, mas será dado sempre o que ele precisa. O governo federal, que a população brasileira fique tranquila, não será dinheiro que vai ser tirado da população. Muito pelo contrário, esse dinheiro sai dos próprios investidores do mundo financeiro, esse dinheiro vem daí”, afirma Plínio Valério. Na visão do ex-diretor do BC Luiz Fernando Figueiredo, o país tem que dar ao Banco Central condições para que ele siga sendo um motor de modernização da economia brasileira: "O Banco Central brasileiro tem sido considerado no mundo como um banco central de vanguarda, moderno, que tem trazido muita inclusão das pessoas ao sistema financeiro. Mas ele está perdendo as condições, está perdendo a capacidade de continuar fazendo bem esse trabalho. Então, essa lei vem nesta direção”. O ex-presidente do BC Gustavo Loyola disse que o Brasil está em uma corrida contra o tempo: "Estamos diante de um processo de evolução tecnológica muito rápido, contínuo, e que realmente não dá tempo para esperar uma melhor oportunidade à frente para corrigir essa a questão da autonomia do Banco Central. Então, é necessária uma ação do Congresso o mais rapidamente possível para que o Banco Central possa responder à altura os desafios que hoje se apresentam”.

FONTE: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/04/16/relator-da-proposta-de-autonomia-financeira-do-bc-entrega-projeto-a-comissao-de-constituicao-e-justica-do-senado.ghtml


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